quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Estão avacalhando a Aposta de Pascal

por Isaac Malheiros
Em discussões sobre religião e Deus, sempre que o cristão usa a “Aposta de Pascal” a objeção ateísta comum é: “qual deus? Odin, Zeus, etc?” Você pode ver como isso acontece nesse vídeo aqui, ou de uma forma modificada nessa sessão de stand-up comedy do Dawkins.

Essa é a objeção dos “muitos deuses”. Na lógica ateísta, se nessa aposta você não consegue estabelecer a identidade exata do deus verdadeiro, isso é uma prova de que o teísmo é falso e o cristianismo mais falso ainda. Tal objeção ateísta pode ser respondida de várias formas, mas destaco duas respostas simples aqui:

1) O argumento de Pascal claramente se refere ao Deus bíblico-cristão e não a “um deus”. A Aposta de Pascal é se “Deus”, aquele em quem Pascal acreditava, existir. Portanto a pergunta "qual deus" já é respondida: o Deus da Bíblia. A objeção dos “muitos deuses” ignora quem era Pascal, ignora quem é o interlocutor e ignora tudo o que o cristianismo já escreveu sobre a existência de Deus.
Em suma: a objeção dos muitos deuses é um atestado de ignorância (já que ignora tantas coisas).

A Aposta de Pascal é apenas um fragmento de uma obra mais ampla escrita por um teísta cristão. É um argumento pragmático dependente de verdades anteriores.
Com base em argumentos anteriores, Pascal reduz as opções de vida a 2 caminhos: o teísmo cristão e o não-"teísmo cristão". Ao contrário do que possa parecer, sua Aposta não é “teísmo x ateísmo”. Por isso, o argumento é mal utilizado por cristãos e mal refutado por ateus.

2) Ateus não apostam? Mesmo ignorando o fato de Pascal estar se referindo ao Deus cristão, que promete vida eterna (o que elimina várias outras divindades), a objeção dos “muitos deuses” é um atestado de burrice: “Ok, admito que o teísmo é correto [1]. Mas como você não me deu a identidade exata do deus verdadeiro eu prefiro continuar não acreditando em deus nenhum”.

Assim, a objeção dos muitos deuses acabaria com todas as loterias e sorteios. O ateu coerente nunca apostaria em nada e nunca entraria num sorteio. O argumento dos “muitos deuses” pode se transformar em argumento dos “muitos números”, e já que ninguém sabe que número será o premiado, o mais seguro e inteligente é não jogar [2].

Analisando friamente, seria mais inteligente arriscar um deus qualquer do que nenhum, pois o prêmio é muito grande e não ganhar significa perder muito mais que milhões. O ateísmo continua sendo a pior opção mesmo distorcendo a Aposta de Pascal.
Mas para não perder a ilustração aqui: a Aposta de Pascal não se refere a acertar o deus correto. A Aposta dele é simplesmente apostar ou não no Deus bíblico. Ateus e crentes esculhambam o argumento de um dos maiores pensadores cristãos de todos os tempos.

Como usar a Aposta de Pascal?
a) Apresente todas as evidências e argumentos racionais em favor da existência de Deus que você conhecer. E você deve conhecê-los.
b) Ao final da apresentação, use a Aposta de Pascal
c) O ateu usa a objeção dos “muitos deuses”, arrancado sorrisos sarcásticos do auditório.
d) Você pergunta a ele: “você estava dormindo durante o ponto a)?” E passa a exigir dele uma argumentação em favor de Odin, Zeus, etc do mesmo nível que a sua no ponto a). Seja educado, mas tão duro quanto possível.

Se ele não pode argumentar racionalmente em favor de Odin, do Homem-aranha e do dragão de Sagan, então por que levantou essa objeção? Apenas para ganhar tempo ou para expor a própria tolice?

Não permita que ele mude de assunto enquanto ele não listar os argumentos racionais em favor da existência da divindade citada. Você já o fez no ponto a), agora é a vez dele.

A Aposta de Pascal tem sido humilhada porque os crentes em geral fracassam no ponto a), ou o ignoram.

Use corretamente ou não use

Se a conversa ou o debate for devidamente dirigido, seguir uma sequência lógica e não pular etapas, a Aposta de Pascal pode ser uma bem-sucedida cartada final. Mas raramente os debates proporcionam tal oportunidade.

Meu conselho é: você não precisa usar a Aposta de Pascal. Mas se resolver usá-la, certifique-se de ter estabelecido previamente as evidências em prol da existência de Deus, e não se curve diante de uma objeção tão estúpida.
"Não estudamos para crer; estudamos porque cremos"
Anselmo de Cantuária (1033 - 1109)

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[1] Ao perguntar “qual deus?”, o ateu entra num nível diferente de discussão. Ele admite tacitamente que deuses existem, e agora se interessa em saber qual deles é o verdadeiro. Essa é uma manobra sutil, e se você não perceber será totalmente humilhado.

[2] Aqui, o ateu poderia dizer: “mas no caso da loteria, só há benefícios e nada a perder”. Porém, essa também é uma objeção auto-refutadora: a Aposta de Pascal aplicada erradamente ao teísmo em geral (como o ateu faz) seria uma loteria onde se você errar o deus, você deixa de ganhar os milhões e ainda poderia morrer por isso. Não seria uma idiotice deixar de apostar em qualquer número (deus) nesse caso? De qualquer forma, o ateísmo continua sendo a posição menos inteligente.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Procura-se alguém de Jesus. Vivo ou morto.


Em 1989, uma série de protestos estudantis em Pequim foi reprimida violentamente pelo governo Chinês. No dia 4 de Junho, um estudante postou-se ousadamente diante de um comboio de tanques de guerra, forçando-os a parar. Essa imagem se tornou uma das mais importantes do século 20. Ele estava disposto a morrer pela causa que defendia.

Tenho algo na minha vida pelo qual vale a pena morrer?

Responda para si mesmo.
Família, ideologia, paixões, fama, reputação...

“Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mateus 6:21)

Eu gostaria que minha resposta imediata fosse: Jesus.
Pensando friamente, creio que eu morreria por algumas pessoas que amo. Talvez por alguma causa em que acredito. Talvez.

Sei que o martírio é algo especial, como um dom concedido a alguns poucos. Mas não me refiro nesse post ao martírio clássico do “renegue a fé ou morra”.
Refiro-me ao martírio em fogo brando, queimando lentamente ao longo de uma vida inteira dedicada ao serviço do Senhor.

Assim, pensando nesse desgastar-se lentamente em prol de algo, a pergunta poderia ser reescrita: Tenho algo na minha vida pelo qual vale a pena viver?

Viver ou morrer pelo mesmo objetivo. Você tem algo assim?
Deus, me conceda a graça de poder dizer sinceramente e com confiança:

Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos.
De sorte que, quer vivamos ou morramos, somos do Senhor.
(Rm 14:8)

Leonardo Gonçalves consegue ampliar minhas idéias na belíssima e emocionante “Somente seu, Senhor

Ouça com atenção...


Que ele seja tudo em todos... começando em mim

por Isaac Malheiros (resumo do sermão do último sábado de 2009)

A boca fala do que o coração está cheio.

Alguns dias, fica claro que Jesus não está enchendo meu coração, pois dos meus lábios saem fluentemente política, futebol, cinema, teologia, etc. Só não sai Jesus (exceto nas orações que faço "em nome de Jesus").

É possível para um pregador do evangelho passar um dia sem falar de Jesus? Mesmo usando a Bíblia e ensinando sobre ela? Sim, é.

Fiz um levantamento em meus sermões e palestras e me assustei: algumas palestras "bíblicas" de 40 minutos não mencionavam nenhuma vez o nome e a pessoa de Jesus. Eu consegui fazer palestras sobre profecias de Daniel e Apocalipse com cálculos complexos e levantamentos históricos precisos, mas nessas palestras Jesus aparecia apenas como mero coadjuvante.
Isso é, literalmente, uma desgraça!

Que raio de pregador do evangelho fala sobre tudo menos sobre o que mais importa?
Miserável homem que sou...

Os primeiros seguidores de Jesus receberam o apelido de “cristãos” porque não tinham outro assunto. Qualquer conversa era mera desculpa para falar de Jesus.

"Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado." (1 Co 2:2)

O que decidi com todas as forças para 2010 é que vou me encher e revestir de Jesus. Ele vai ocupar a minha mente até que extravase pelos meus lábios.
Decidi que ele será tudo em mim, afinal, o objetivo é que ele seja tudo em todos:

"... no qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos." (Cl 3:11)

Decidi sair do time dos crentes que tratam Cristo como mero coadjuvante de suas vidas. Abandonei o barco dos crentes que podem falar horas inteiras sobre qualquer coisa, mas não conseguem falar 5 minutos apenas sobre Jesus pois sobra tempo.
Vou virar fanático, mas de um outro tipo. Não do tipo que fiscaliza comportamentos e atormenta pessoas tentando lhes impor minha crença.

Virei fanático desse tipo aqui:

"Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro." (Fp 1:21)

Nenhum outro assunto é mais importante que esse para mim. Continuarei falando de profecias, mas o centro delas é o Messias. Falarei dos animais de Daniel 7 e 8, mas exaltarei como nunca o Cordeiro de Deus. Ensinarei o cuidado com o corpo, mas o centro da mensagem não será a saúde por si só, mas o Senhor.

Falarei da Lei, mas como transcrição do caráter do amoroso Legislador: Jesus.
Falarei do sábado, mas como sinal do descanso nos méritos de Cristo, o Senhor do sábado.

Em 2010, qualquer assunto será uma desculpa para exaltar Jesus!

"Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas.
A ele, pois, a glória eternamente. Amém!"
(Rm 11:36)

Resumido aqui por Tim Hughes na simples e espetacular "Everything"

Se vc quiser ouvir uma bela versão em português, ouça Mariana Valadão clicando aqui.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal! (pra quem?)

Para ser coerente com meu perfil de "Grinch", aí vai um "Feliz Natal" diferente...
Ao som do Fruto Sagrado...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Não te esqueças de nenhuma de suas bênçãos

A Bíblia fala bastante sobre como lidar com nossas memórias.
Por vezes ela nos orienta a “esquecer” seletivamente o que pode alimentar sentimentos negativos, de ódio e vingança, e impedir a cicatrização de feridas. Nesse sentido, “esquecer” significa lembrar sem ódio, abrir mão da reação na mesma moeda.


Somos biblicamente ensinados a encarar os fatos pela ótica de Cristo: amar os inimigos.
Paulo disse que se esquecia das coisas que ficaram para trás, e prosseguia na caminhada cristã (Fp 3:13 e 14). Talvez aqui também haja uma lição para os saudosistas, os que vivem do passado (“no meu tempo era melhor”).

No entanto, a Bíblia também nos orienta a não esquecer algumas coisas (boas e ruins).
A Páscoa tinha, dentre outros objetivos, fazer o povo lembrar de seu passado como escravos no Egito (Dt 16:12). Os Dez Mandamentos começam nos lembrando quem é Deus e quem somos nós (ex-escravos, libertos pelo Senhor (Ex 20:2). Jeremias encontrou alivio na memória: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.” (Lm 3.21)

Jesus deixou a Ceia como algo a ser feito em Sua memória, ate o dia da sua vinda.

O problema é que somos peritos em colocar boas memórias num porão escuro, enquanto construímos altares para os traumas. Talvez por isso a Bíblia insista em nos fazer lembrar das obras passadas do Senhor, das maravilhas que ele fez. Ela diz:

Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de Seus benefícios.” (Sl 103:2)

Infelizmente, parafraseamos:
Amaldiçoe, ó minha alma, ao meu inimigo, e não te esqueças de nenhum de seus malefícios”.

Quando alguém me faz um mal eu guardo isso em segurança num cofre especial, organizado em categorias de ofensa. Lembro-me de algumas ofensas com riqueza de detalhes. Sou capaz de dizer com exatidão o ano, o mês, o dia, a hora e o lugar que me ofenderam. Lembro-me da roupa que a pessoa estava usando e posso ate imitar seus gestos e seu tom de voz.

E se me fosse exigido colocar num papel todas as coisas boas que o Senhor já fez em minha vida? Eu teria uma lista pronta, com riqueza de detalhes? Nossa mente se esquece muito rápido do que Deus faz, e isso gera uma sensação de abandono e desespero.

Comece a enumerar mais frequentemente o que Deus já fez por você. Torne essa lista pública e divulgue-a todos os dias.
Será bom pra você, e para todo mundo.

Lembrai-vos das maravilhas que fez
Alegrem-se no seu louvor! (Sl 105:1-5 resumido)

Resumido aqui pelo Oslo Gospel Choir, no clássico hino "My Tribute", de Andrae Crouch


Se vc quiser ver uma performance do próprio Andrae Crouch, clique aqui

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Jesus e a escravidão

Entrevista concedida por Donald A. Carson, Ph.D. a Lee Strobel.

D. A. Carson é professor e pesquisador do Novo Testamento da Trinity Evangelical Divinity School

Para ser Deus, Jesus tinha de ser eticamente perfeito. Todavia, alguns críticos do cristianismo acusam-no de não o ser porque, segundo eles, Jesus teria compactuado com a prática moralmente abominável da escravidão.

Conforme escreveu Morton Smith:

O imperador e o Estado romano tinham inúmeros escravos; o templo de Jerusalém possuía escravos; o sumo sacerdote tinha escravos (um deles perdeu uma orelha quando Jesus foi preso); todos os ricos e praticamente toda a classe média tinham escravos. Até onde sabemos, Jesus nunca atacou essa prática. [...] Parece que houve uma revolta de escravos na Palestina e na Jordânia na mocidade de Jesus; uma pessoa que liderasse essa revolta e fosse ao mesmo tempo um operador de milagres teria atraído muita gente. Se Jesus tivesse denunciado a escravidão ou prometido a libertação dos escravos, não há dúvida de que teríamos ficado sabendo. Mas não há registro de que isso tenha ocorrido, portanto, pela lógica, tudo indica que ele não disse nada a esse respeito.[1]

Como é que se pode equacionar o fato de que Jesus não se empenhou pela libertação dos escravos com o amor de Deus por todas as pessoas?

— Por que ele não se levantou e disse em alto e bom som: 'A escravidão é errada"? — perguntei. — Não teria Jesus falhado moralmente por não se empenhar pelo fim de uma instituição que humilhava as pessoas, feitas à imagem de Deus?

Carson endireitou-se na cadeira.

— Creio que as pessoas que fazem esse tipo de objeção estão confusas — disse ele. — Se você me permite, vou primeiro contextualizar a escravidão, antiga e moderna, porque em nossa cultura ela naturalmente apresenta certas características que não tinha no mundo antigo.

Acenei para que prosseguisse.

Derrotando a opressão

— Em seu livro Race and culture,[2] o estudioso afro-americano Thomas Sowell ressalta que em todas as grandes culturas mundiais, até a Idade Moderna, sem exceção, houve escravidão — Carson explicou. — Embora fosse muitas vezes o resultado de conquistas militares, a escravidão servia geralmente a propósitos econômicos. Não havia leis de falência naquela época, portanto, quando alguém ficava muito endividado, vendia-se a si mesmo e/ ou a família ao regime de escravidão. A escravidão servia não somente como pagamento de dívida como também proporcionava trabalho. Não era necessariamente uma coisa tão ruim; era, pelo menos, uma opção de sobrevivência. Por favor, entenda-me: não estou tentando de forma alguma dar à escravidão um ar romântico.

Todavia, no tempo dos romanos, havia trabalhadores subalternos que executavam tarefas próprias de escravos, mas havia outros também em funções equivalentes às de doutores, que ensinavam as famílias. A escravidão não estava associada a nenhuma raça em particular. Na escravidão americana, porém, todos os negros, e só eles, eram escravos. Esse foi um dos horrores característicos dela, o que gerou a idéia injusta de que os negros eram inferiores, contra o que muitos de nós lutamos ainda hoje. Vamos agora ver o que diz a Bíblia. Na sociedade judaica, a lei determinava que, no Jubileu, todos os escravos tinham de ser libertos. Em outras palavras, a cada sete "semanas" de anos a escravidão era abolida. Se as coisas funcionavam de fato desse jeito já é outra história, mas a ordem divina era essa, e foi nesse ambiente que Jesus cresceu. É preciso ter em mente a missão de Jesus. Basicamente, ele não veio com o objetivo de derrubar o sistema econômico romano, do qual a escravidão fazia parte. Ele veio para libertar homens e mulheres de seus pecados. E aí onde quero chegar: o que sua mensagem faz é transformar as pessoas de modo que comecem a amar a Deus de todo o seu coração, alma, mente e força, e comecem também a amar o seu próximo como a si mesmas. Naturalmente, isso tem um impacto na idéia de escravidão.

Após uma pausa, prosseguiu:

— Veja o que diz o apóstolo Paulo em sua carta a Filemom a respeito de um escravo foragido chamado Onésimo. Paulo não diz que a escravidão deve ser abolida, porque isso simplesmente culminaria com a execução daquele escravo. Em vez disso, ele diz a Filemom que trate bem a Onésimo como um irmão em Cristo, assim como trataria o próprio Paulo. Depois, para deixar bem clara a situação, Paulo enfatiza: "Lembre-se, você deve sua vida a mim por causa do evangelho". A abolição da escravidão, portanto, ocorre pela transformação de homens e mulheres pelo evangelho, e não meramente pela mudança do sistema econômico.

Todos nós já vimos o que acontece quando simplesmente se extingue um sistema econômico e se impõe uma nova ordem em seu lugar. O sonho comunista era ter um "homem revolucionário" seguido do "novo homem". O problema é que os comunistas nunca encontraram esse "novo homem". Livraram-se dos opressores dos camponeses, mas isso não lhes deu liberdade imediata; passaram apenas para um novo regime de trevas.

No fim das contas, se quisermos uma mudança que perdure, temos de transformar os corações dos seres humanos. E essa era a missão de Jesus. Vale também a pena fazer a pergunta que Sowell faz: como foi que a escravidão acabou? Ele destaca que o ímpeto propulsor da abolição da escravidão foi o despertamento evangélico da Inglaterra. Os cristãos pressionaram pela abolição no Parlamento no início do século XIX e, por fim, usaram as canhoneiras inglesas para deter o tráfico no Atlântico. Cerca de 11 milhões de africanos foram levados para a América, e muitos não sobreviveram, ao passo que cerca de 13 milhões foram levados como escravos para o mundo árabe. Uma vez mais, foram os ingleses, impulsionados por pessoas cujo coração havia sido transformado por Cristo, que enviaram seus navios de guerra para o golfo Pérsico com o propósito de pôr um fim a isso.

A resposta de Carson fazia sentido, não apenas historicamente, mas essa também tinha sido minha própria experiência. Por exemplo, conheci anos atrás um executivo tremendamente racista que tinha uma atitude superior e arrogante em relação a qualquer pessoa de outra cor. Ele raramente se esforçava para esconder seu desprezo pelos afro-americanos, deixando que essa bile preconceituosa transbordasse em piadas cruéis e observações cáusticas. Não havia argumento capaz de fazê-lo mudar suas opiniões repugnantes.

Foi então que se tornou seguidor de Jesus. Observei surpreendido como suas atitudes, perspectivas e valores iam mudando com o passar do tempo, à medida que seu coração era renovado por Deus. Por fim, ele se deu conta de que não poderia abrigar nenhuma indisposição em relação a quem quer que fosse, uma vez que a Bíblia ensina que todas as pessoas foram feitas à imagem de Deus. Hoje posso dizer com toda a sinceridade que ele é verdadeiramente solícito e aberto às pessoas, inclusive às que são diferentes dele.

Não foi a lei que o transformou. O raciocínio não o modificou. Apelos emocionais não o mudaram. Ele conta a todos que Deus o transformou de dentro para fora, de um modo decisivo, completo e permanente. Esse é apenas um exemplo dentre muitos. Eu vi o poder do evangelho sobre o qual Carson estava falando: o poder que transforma corações rancorosos e vingativos em filantropos, egoístas empedernidos em doadores misericordiosos, amantes do poder em servos generosos e gente que explora o próximo, por meio da escravidão ou de outra forma de opressão, em gente de coração acolhedor.

Isso vai ao encontro do que o apóstolo Paulo diz em Galatas 3.28: "Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus".



[1] Morton Smith, Biblical arguments for slavery, Free Inquiry, Spring, 1987, p. 30.

[2] Thomas Sowell, Race and culture, New York, Basic, 1995.



Josimar Bianchi resume, na música do João Alexandre - Todos São Iguais

Ellen White contra o culto chato

por Isaac Malheiros

Sim, existem cultos chatos e até Ellen White, uma escritora do século 19 concorda com isso.
Não, os cultos não devem ser chatos, e Ellen White fala sobre isso claramente. Nenhuma de nossas reuniões deve causar tédio pela falta de vida, de ânimo, pela desorganização ou pela impontualidade.
Sim, existem pregadores "xarope", e até Ellen White concorda com isso.
Não, os sermões não devem ser um teste de resistência para a Grande Tribulação por vir.
Notem que estou falando de uma antiga escritora que viveu num dos períodos de maior fervor do adventismo, onde os cultos eram vibrantes e marcados pela profunda busca da presença do Senhor.

Muito tem sido escrito a respeito do papel da música no culto cristão. No entanto, boa parte do tempo de nossas reuniões são dedicadas ao sermão. Um culto de uma hora e meia chega a ter uma hora dedicada apenas à exposição da Palavra.
Creio que deveríamos nos preocupar tanto com a pregação quanto temos nos preocupado com a música. Ellen White dedicou muitos parágrafos a esse assunto, e deveríamos dar mais atenção a eles. De acordo com ela, muitas reuniões se tornam desinteressante justamente por causa do modo como o sermão é apresentado. Em resumo: um culto pode se tornar chato, se o pregador não seguir algumas diretrizes.
Ao contrário do que supõe algumas pessoas, Ellen White orienta que nossas reuniões sejam interessantes e cheias de vida. E para isso ela frequentemente sugere o sair da rotina, usar novas idéias e abordagens, e especialmente cuidar com o horário.

#Cultos devem ser interessantes
“Deve imperar ali a própria atmosfera do Céu. As orações e discursos não devem ser prolixos e enfadonhos, apenas para encher o tempo. Todos devem espontaneamente e com pontualidade contribuir com sua parte e, esgotada a hora, a reunião deve ser pontualmente encerrada. Deste modo será conservado vivo o interesse. Nisto está o culto agradável a Deus.
Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida”. (Test. Seletos, vol. 2, 252)

Não canseis jamais os ouvintes com sermões longos. Isso não é sábio. Durante muitos anos estive empenhada nesse assunto, tratando de que nossos irmãos preguem menos e dediquem o seu tempo e energia para simplificar os pontos importantes da verdade, pois todo ponto será motivo de ataque de nossos oponentes. Todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter idéias novas; ... e com tato e previsão fazei todo o possível para interessar os vossos ouvintes.” (Carta 48, 1886)

#Pontualidade ajuda a evitar cultos e reuniões chatas
“As reuniões de conferências e oração não devem tornar-se tediosas. Todos devem estar prontos, se possível, na hora indicada; e se há retardatários, que estejam atrasados meia hora, ou mesmo quinze minutos, não se deve esperar por eles. Se houver apenas dois presentes, podem reivindicar a promessa. A reunião deve ser iniciada na hora marcada, se possível, estejam presentes muitos ou poucos." (Review and Herald, 3 de maio de 1871)

A seguir, diretamente do final do século 19 e início do século 20, alguns textos sobre o culto chato e a pregação longa e sem vida:

#Sermões Longos e Tediosos
"Que a mensagem para este tempo não seja apresentada em discursos longos e elaborados, mas em prática breves e incisivas, isto é, que vão diretamente ao ponto. Sermões prolongados fatigam a resistência do orador e a paciência dos ouvintes. (...)
Dai lições curtas, em linguagem clara e simples, e repeti-as muitas vezes. Os
sermões curtos serão muito mais lembrados do que os longos. Aqueles que falam devem lembrar que os assuntos que estão apresentando talvez sejam novos para alguns dos ouvintes; portanto, os pontos principais devem ser repassados uma e outra vez."
(
Obreiros Evangélicos, 167 e 168)

“Sejam os discursos
curtos, espirituais e elevados.” (Test. Min. e Obreiros Evangélicos, 338)

* Alguém pode estar pensando: “Mas a própria Ellen White relata ocasiões em que ela pregou durante uma hora ou mais”. Sim, mas isso não era o rotineiro. Eram ocasiões especiais, onde muitas vezes ela era usada por Deus para fazer revelações proféticas ao povo.
O ponto aqui é: o normal e rotineiro deve ser sermões curtos. Podem existir exceções, ocasiões especiais onde maior tempo será gasto, mas a regra da pontualidade e dos sermões curtos deve prevalecer em nossos cultos.

#Muitos rodeios preliminares antes de ir ao ponto central
“Muitos oradores perdem o tempo e as energias em longos preliminares e desculpas. Alguns gastam cerca de meia hora em apresentar escusas; assim se perde o tempo e, quando chegam ao assunto e procuram firmar os pontos da verdade no espírito dos ouvintes, estes se acham fatigados e não lhes podem sentir a força.” (Obreiros Evangélicos, 169)

#Falem pouco
"Falai pouco. Vossos discursos geralmente têm o dobro do que deviam ter. É possível lidar com uma boa coisa de tal maneira que ela perca seu sabor. Quando um discurso é longo demais, a última parte da pregação diminui a força e o interesse do que a precedeu. Não divagueis, mas ide diretamente ao ponto. Dai ao povo o próprio maná do Céu e o Espírito testificará com vosso espírito que não sois vós que falais, mas que o Espírito Santo fala por vosso intermédio." (Test. Min. e Obreiros Evangélicos, 311)

*Escrevendo a um pregador chamado Stephen Belden, ela aconselhou: “Não segure o povo mais que trinta minutos em seus discursos”. Ele estava se tornando prolixo em seus sermões. (Manuscript Releases, vol. 10, pág. 130)

#Se você trabalha com jovens: não fale demais
“Os que dão instruções à infância e à juventude, devem evitar observações enfadonhas. Falar com brevidade, indo direto ao ponto, terá uma feliz influência. Se há muita coisa para dizer, substituí pela freqüência aquilo de que a brevidade os privou. Algumas observações interessantes, feitas de quando em quando, serão mais eficazes do que comunicar todas as instruções de uma só vez.
Longos discursos fatigam a mente dos jovens. Falar demasiado levá-los-á mesmo a aborrecer as instruções espirituais, da mesma maneira que o comer em excesso sobrecarrega o estômago e diminui o apetite, conduzindo ao enjôo da comida. Nossas instruções à igreja, e especialmente à juventude, devem ser dadas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. As crianças devem ser atraídas para o Céu, não asperamente, mas com muita brandura.
Não imagineis que vos seja possível despertar o interesse dos jovens indo à reunião missionária e
pregando longo sermão. Planejai meios pelos quais se possa despertar um vivo interesse.” (Obreiros Evangélicos, 208 a 210)


#Um sermão pode se transformar em três
“Alguns de vossos discursos longos teriam muito melhor efeito sobre as pessoas se os dividísseis em três. As pessoas não podem digerir tanto; sua mente tampouco os pode apreender, e chegam a cansar-se e confundir-se ao ser-lhes apresentada tanta matéria em um único sermão. Duas terças partes dos sermões tão longos perdem-se, e o pregador esgota-se. Muitos de nossos pastores há que erram nesse sentido. O resultado sobre eles não é bom, porque se tornam cérebros cansados e sentem que estão carregando para o Senhor cargas pesadas e suportando durezas.” (Evangelismo, 176 e 177)

#Duas razões para se fazer sermões curtos
“Duas razões existem, pelas quais deveis fazê-lo. Uma é que podeis conquistar a reputação de ser pregador interessante; a outra é que podeis preservar a vossa saúde.” (Carta 112, 1902)

#Ter muitos sermões num mesmo período não é legal
Certa ocasião, ela reprovou a enorme quantidade de sermões que eram apresentados em sequência nas reuniões campais:
“E quando se amontoam tantos discursos, um após outro, o povo não tem tempo de assimilar o que ouve. A mente fica-lhes confusa, e os serviços se lhes tornam enfadonhos e fatigantes.” (Obreiros Evangélicos, 407)

#Por vezes, o sermão deve ser reduzido para dar mais espaço aos testemunhos e treinamento
“Ocasiões há em que convém fazerem os nossos pastores, no sábado, em nossas igrejas, breves discursos, cheios de vida e do amor de Cristo. Os membros da igreja não devem, porém, esperar um sermão cada sábado.” (Testemunhos Seletos, vol 3, 82)

“Aquele que é designado para dirigir cultos aos sábados, deve estudar a maneira de interessar os ouvintes nas verdades da Palavra. Não convém que faça sempre tão longos discursos que não haja oportunidade para os presentes confessarem a Cristo. O sermão deve ser, freqüentemente, breve, a fim de o povo exprimir seu reconhecimento para com Deus. Ofertas de gratidão glorificam o nome do Senhor. Em cada assembléia dos santos, anjos de Deus escutam o louvor rendido a Jeová em testemunhos, canto e oração.
A reunião de oração e testemunhos, deve ser um período de especial auxílio e animação. Todos devem sentir que é um privilégio tomar parte nela. Que todos os que confessam a Cristo tenham alguma coisa para dizer na reunião de testemunhos. Estes devem ser
curtos, e de molde a servir de auxílio aos outros. Não há nada que mate tão completamente o espírito de devoção, como seja uma pessoa levar vinte ou trinta minutos num testemunho. Isso significa morte para a espiritualidade da reunião.” (Obreiros Evangélicos, 171)


#Ellen White e os momentos de louvor estropiados
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém na maneira estropiada por que é muitas vezes conduzido, não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor. Organizai um grupo dos melhores cantores, cuja voz possa guiar a congregação, e depois todos quantos queiram se unam com eles. Os que cantam devem esforçar-se para cantar em harmonia; devem dedicar algum tempo a ensaiar, de modo a empregarem esse talento para glória de Deus.” (Evangelismo, 506)

#Não devemos fazer orações longas e tediosas publicamente
“A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. "Quando orares," disse Ele, "não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens." Mat. 6:5. (...)
Há muitas
orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido.
Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos.
Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir.
É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são
longas e fastidiosas. Não ponham os pastores em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranqüilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros.” (Obreiros Evangélicos, 175 e 176)


#Fazer orações públicas simples e não com palavras difíceis
“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição.” (Obreiros Evangélicos, 177)


*Perceba o padrão de Ellen White: nada deve ser chato.
Nem o sermão, nem o testemunho, nem as orações.

“Não seja chato”, essa é a mensagem geral.

No que depender de você, não permita que o “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Sl 122:1) se transforme em “fiquei entediado quando me disseram: vamos à Casa do Senhor”.

Profundidade não é sinônimo de prolixidade.
Brevidade e objetividade não são sinônimos de superficialidade.
Alegria não é sinônimo de irreverência.
Reverência não é sinônimo de monotonia e chatice.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

“Consolai-vos uns aos outros com estas palavras”

Hoje foi um dia incrivelmente penoso...
Meus olhos não se secam... Esforço-me para não lembrar...
Mas como não me lembrar do seu sorriso?
Perdi um mestre. Mestre, mas que durante todo o ano, chamei de aluno.


Não somos discípulos de Sócrates, que encarou tranquilamente a morte como algo desejável, um beneficio até. Somos discípulos de Jesus, que diante da morte de Lazaro, chorou. E diante da sua própria morte iminente, agonizou, suando grossas gotas de sangue e pedindo para que o Pai passasse dele aquele cálice.

Com assombro, vejo cristãos falarem da morte como amiga, como algo natural, baseando-se erradamente na declaração de Paulo: “prefiro partir e estar com Cristo, o que é muito melhor”
A morte é uma intrusa.
Ela traz dor.
Será o último inimigo a ser destruído por Jesus.
A ser “destruído”, porque “vencida” ela já está.

"Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem,... para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança." (1 Ts 4:13)

Eu me entristeço diante da morte, mas não como os demais, pois eu tenho esperança.
E minha esperança não está na reencarnação, num céu automático agora ou no purgatório.
A minha esperança está no que o próprio texto sugere: a ressurreição.

Essa é a minha esperança: "Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem." (1 Ts 4:14).

"Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor." (1 Ts 4:16 e 17).

É com indignação que vejo cristãos consolarem enlutados afirmando coisas como “ele foi para a glória”, “a vovó agora virou uma estrelinha” ou “ele agora é um anjinho”.
Prefiro me consolar com a certeza da ressurreição, conforme ordena a Palavra:

“Consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4:18)

Consolai-vos com a mensagem da ressurreição.

A ressurreição... essa promessa tão fora de moda. Deixada de escanteio, soterrada pelo espiritismo evangélico, debaixo dos escombros do ocultismo gospel, dos espíritos de parentes que recebem orações e recadinhos amorosos – práticas estranhas ao ensino bíblico.

Diante de uma tragédia, eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a Terra. Ele trará de volta os meus amados que a morte levou.
Posso louvá-lo em meio ao luto, pois confio no Seu infinito amor...

E vou louvá-lo com um antigo cântico evangélico que me sustentou em meus primeiros passos no Caminho... Numa versão “encontro de gerações”.

Pr Adhemar de Campos (adorador old school) e Nívea Soares - Grande é o Senhor



Em memória de Uylham Zils.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não seja uma florzinha de Jesus

Muitas crianças evangélicas crescem cantando essa frase "Sou uma florzinha de Jesus"... E essas crianças se tornam adultos... E nunca deixam de ser uma florzinha de Jesus.
Acredito que está na hora de mudarmos nosso cântico. Chega de leitinho...Papinha... É hora de alimento sólido.

Tenho visto muita gente abandonando Jesus e a igreja por motivos tolos.

"O Fulano falou mal de mim"
"Eu cheguei e ninguém me cumprimentou"
"A Fulana criticou o meu solo no coral"
"A igreja é desorganizada"
"Tem muita hipocrisia ali"
"Meu namoro/casamento terminou"

Sim. São motivos tolos. Repare que não estou falando sobre deixar de ir a um ou dois cultos. nem estou falando de mudar de congregação. Estou falando de pular do barco, cair fora, dar no pé.

E não estou falando do apóstata convicto: aquele que abandona conscientemente. Ele não crê, fala que não crê, e vive como deve viver os que não crêem.

Estou falando do apóstata trapalhão: aquele que não sabe se não crê ou se apenas está magoado com os coleguinhas de igreja. É aquele que exige atenção a todo instante, vive ameaçando sair.

Já gastei muito tempo precioso com esses bebês-chorões da fé. Estou perdendo esse dom de paparicar crente chorão.

Não me entenda mal: sei que o sofrimento existe e às vezes é inexplicável. Sofremos muito por poucos ou até por nenhum motivo aparente. Mas nada, repito, NADA, de novo:
N-A-D-A é motivo justificável para um verdadeiro cristão abandonar Jesus.

Esperamos um período chamado de "Grande Tribulação". O Apocalipse descreve vividamente períodos tenebrosos, as sete pragas, catástrofes e toda a perseguição e sofrimento a que o povo de Deus estará sujeito. Como alguém que não consegue suportar uma cara feia, uma crítica, uma fofoca ou qualquer outra frescura, espera passar pela Grande Tribulação?

Abaixo o cristão-emo!
Abaixo o cristianismo de novela-mexicana!
Não precisamos de crentes de plástico, mas de carne e osso (e "tutano"), com sangue correndo nas veias!

Chega de ser "florzinha de Jesus".
Torne-se um "carvalho de justiça", plantado pelo Senhor para a Sua glória!

Apocalipse 7:9-14 descreve: "Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os anjos estavam ao redor do trono, e dos anciãos, e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos, e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro."

O Gaither resume o texto de Ap 7 (seguuuuura o David Phelps q eu quero ver!!)

domingo, 13 de dezembro de 2009

A música "parabéns pra você" é do diabo?

(Tem muitos blogs bons por aí... O Púlpito Cristão eu visito sempre e recomendo.
Acabei de ler esse post lá. É muito relevante no contexto de crendice gospel que estamos vivendo.)




Por Renato Vargens

Fico impressionado com essa mania de alguns "evangélicos "satanizarem todas as coisas. Pois é, em nome da espiritualidade já se afirmou que a Xuxa é satanista, que a Disney é do capeta e que o natal é obra do cramulhão.

Há pouco recebi a informação de alguns dos "ghostbusthers gospel" estão a ensinar que a palavra RATIMBUM cantada no parabéns para você é uma palavra mágica usada pelos magos persas na Idade Média. Segundo os "gospelbusthers", elas eram pronunciadas assim e ao contrário fazendo o mestres dos magos surgir das cinzas e realizar os desejos de quem os proclamou. Os adeptos desta crença afirmam:

“Por muito tempo cantamos inocentemente um "parabéns" para alguém que está aniversariando. Mas até aqui tudo bem. O que muitos não sabem é que depois da música vem um tal de ratimbum (isso significa: eu amaldiçoo você). Muitos não sabem, mas os demônios se divertem em muitas festas até cristãs. Esse ratimbum é pronunciado até para os pastores e devemos tomar cuidado porque é essa mesma a finalidade do maligno.”

Sinceramente fico admirado com o esforço que alguns "evangélicos" fazem para encontrar evidências de que todas as coisas são do diabo.

Caro leitor, as igrejas que vivenciam este tipo de comportamento manifestam uma enorme ignorância quanto aos ensinamentos bíblicos. Cristo nos libertou de todo tipo de rito e superstição. Nele e por ele verdadeiramente somos LIVRES. Em outras palavras isto significa dizer que não somos amaldiçoados por cantar parabéns para você no aniversário de alguém. Além disso, afirmar que ratibum é do diabo significa o desconhecimento do que seja uma Onomatopéia.

Onomatopeia é uma figura de linguagem na qual se imita um som com um fonema ou palavra. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopeias. Por exemplo, para os índios tupis tak e tatak significam dar estalo ou bater e tek é o som de algo quebrando. As onomatopeias, em geral, são de entendimento universal.

No parabéns para você Ratibum significa o fechamento musical de uma fanfarra. "Rá", o tarol, "Tim", os pratos, "Bum", o bumbo. "Parará tim bum" é outro exemplo que demonstra de maneira prolongada o rufar do tarol.

Pois é, cara pálida, mais uma vez afirmo que o Evangelho de Cristo se contrapõem em muito aos ensinos dos teólogos quixotescos. Em Jesus e por Jesus somos libertos da escravidão do pecado, e do domínio do diabo e do misticismo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os Arautos me emocionaram...

O quarteto Arautos do Rei dispensa comentários. Todas as produções tem a marca do bom gosto e da qualidade da música adventista. Assisti o DVD “Vale a Pena Esperar” no fim de semana passado sem esperar nada mais do que a excelente música.

Fui surpreendida com a homenagem que fizeram ao Ozeias (1º tenor).
É um relato emocionante, de sonhos, esperança e confiança em Deus.
A história de um menino muito pobre, que sempre amou ao Senhor e cantar em Seu louvor.
Ele não sabia da homenagem. Já havia um clima de “céu” no auditório por causa da mensagem do Pr. Fernando Iglesias. O quarteto voltou ao palco para cantar a música “Vale a Pena Esperar”, e fizeram a homenagem.
Após a homenagem, ele tenta cantar, mas...
Emocione-se aí...


Parte1

Parte2

Parte3

Lágrimas primeiro, chuva depois

Abrirei rios em lugares altos, e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de água. Is 41:18
Sei que o tema “chuva” está saturado pela forma insistente com que o pessoal do “mantra gospel” tem usado esse tema. Mas esse é um assunto urgente para a igreja.
Se você é um jovem adventista e não faz noção do que é a “chuva serôdia” que tanto falam, acorde!

Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como a chuva serôdia que rega a terra. Os 6:3
A “chuva serôdia” é a última manifestação especial do Espírito Santo, de forma muito poderosa nos últimos dias, levando a igreja remanescente a pregar com um poder notável antes do eventos finais 9selamento, pragas e volta de Jesus).
É uma figura de linguagem retirada da vida agrícola.
Havia 2 grandes períodos de chuva no Oriente:
1) A chuva Temporã: o período de chuva que preparava o terreno para a plantação.
2) A chuva Serôdia: o período de chuva que amadurecia os grãos para a colheita.
Alegrai-vos, pois, filhos de Sião, e regozijai-vos no Senhor vosso Deus; porque ele vos dá em justa medida a chuva temporã, e faz descer abundante chuva, a temporã e a serôdia, como dantes. Jl 2:28

Pr. Fernando Iglesias – Terra Seca


Você pode aplicar a idéia dessas chuvas de modo histórico ou individual:

Na história da igreja, entendemos que o que aconteceu a partir do dia do Pentecostes (Atos 2)foi o derramamento da Chuva Temporã, a primeira. E ao final da história desse mundo, quando a última mensagem for anunciada, isso ocorrerá sob a Chuva Serôdia.
O objetivo dessa chuva não é provocar línguas estranhas, quedas, pulos, reações emocionais ou sensações: é serviço e amor pelos perdidos! É evangelismo! Amor, paixão e compaixão na "colheita" final.

Mas deve haver um interesse individual na questão: você deve procurar receber a chuva Temporã agora, para depois receber a Serôdia. Ao olhar apenas para o futuro, esperando a Chuva Serôdia, você perde a benção disponível agora: a Chuva Temporã. Quem não experimenta a Chuva agora, não vai experimentar depois. Quem não se molha agora, na chuva e nas lágrimas de arrependimento, não se encharca depois na grande Chuva!

Então, um conselho: deixe o guarda-chuvas fechado. Vá para fora, olhe pra cima e se molhe na Chuva de Deus que está caindo nesse exato instante.
Depois... bom, a previsão divina é de chuva torrencial...

Leia Joel 2:12-32, siga a receita e prepare-se!

O texto está cantado no vídeo abaixo

Fernandinho – Chorem (tá... eu sei que ele é ‘mantreiro’. Mas a música é muito boa!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O que escrevi para a redação da Revista Adventista

No mês de Dezembro, a Revista Adventista (RA) publicou o artigo "Instrumentos de percussão na música sacra", do Dr. Ozeas Moura. Recorri à minha Bíblia, minha biblioteca, aos amigos da comunidade JA do Orkut, e ao meu marido (heheh) e escrevi a seguinte resposta:

Olá pastor Ozeas. Espero que tudo esteja bem com o senhor.
Sou moderadora da maior comunidade de Jovens Adventistas da internet (mais de 65 mil membros). Amo minha igreja e o seu apego ao firme fundamento da Palavra do Senhor.

Li o seu artigo sobre a música na Revista Adventista, discordei e achei por bem lhe escrever.
Poderia escrever bastante sobre as já comprovadas falácias e equívocos de uma de suas fontes (a obra de Bacchiocchi, “O cristão e a música rock”). Mas prefiro me ater à Bíblia e a Ellen White.

1) Toda a sua argumentação serve para condenar outros instrumentos. Troque a palavra “tambores” por "flautas" e releia o seu artigo: serve pra condenar as flautas também.

-Eram instrumentos populares, usados na musica secular e na musica dos pagãos.
-Estavam no primeiro transporte da arca
-Saíram da lista no segundo transporte da arca
-Não estavam na lista de "instrumentos de Deus"
-Não eram usadas dentro do templo
-Aparecem nos Salmos, mas os Salmos são simbólicos...
-Aparece em Ez 28:13, mas a tradução ali esta errada.

Se o senhor tem razão, as flautas devem ser proibidas na igreja.

2)Há um erro sutil ao definir música sacra = música dentro do templo.
O Sr escreveu: "Analisemos, primeiramente, a musica fora do ambiente do templo, ou seja, musica secular, de entretenimento ou de celebração por algum evento."

Há um claro equivoco aqui: musica secular = musica fora do templo?
Não. Musica sacra era feita fora do templo também.

O cântico de Moises, o de Miriam, o dos profetas, o de Davi, a musica de louvor descrita e incentivada nos Salmos para ser feita na assembléia, pelo povo (fora do santuário).
Muitas experiências musicais de genuína adoração aconteceram fora do templo.
As festas religiosas judaicas envolviam muita musica sacra fora do templo.
Se o Sr. raciocina em cima de uma base frágil, o prédio inteiro vai cair.

A sua divisão entre musica sacra e musica secular é totalmente equivocada e auto-refutadora: a musica do transporte da arca ocorreu fora do templo, ou seja, foi musica secular de acordo com a classificação do Dr. Ozeas.
Então, pra que usar esse evento de música secular como algo normativo para a musica sacra? Incoerência interna no raciocínio.

3) Há um outro erro sutil: musica dos profetas = secular
"Na musica secular ou de entretenimento, usavam-se instrumentos de percussão como o tamborim, às vezes traduzido por “adufe” (no hebraico, toph pequeno tambor de mão ou pandeiro), usado para acompanhar, ritmadamente, a musica e a dança, nas festividades e cortejos (Gn 3:27; Ex 15:20; Jz 11:34; 1Sm 10:5, 18:6; 2Sm 6:5; Sl 149:3; 150:4, etc)."

Aparentemente, um raciocínio certo.
A sutileza do erro está em classificar de “musica secular ou de entretenimento” a musica feita pelos profetas em 1 Sm 10:5. Ellen White comenta esse evento com as seguintes palavras:

“Em Gibeá, sua cidade, um grupo de profetas, voltando do "lugar alto", cantavam o louvor de Deus, com música de flautas e harpas, saltérios e tambores. Aproximando-se Saul deles, sobreveio-lhe o Espírito do Senhor e ele também tomou parte em seu cântico de louvor, e com eles profetizou. Falou com tão grande influência e sabedoria, e com tanto fervor se uniu ao culto, que aqueles que o conheciam exclamaram com espanto: "Que é o que sucedeu ao filho de Quis? Está também Saul entre os profetas?" I Sam. 10:1-11.
Tendo-se unido Saul com os profetas em seu culto, uma grande mudança operou-se nele pelo Espírito Santo.”
PP, 610.

Não era música secular e nem de entretenimento. Era culto de louvor.

No mesmo parágrafo, você cita o cântico de Miriam e das mulheres como exemplo dessa musica supostamente "secular e de entretenimento" (Ex 15:20).
Mas veja Ellen White comentando:

“Semelhante à voz do grande abismo, surgiu das vastas hostes de Israel aquela sublime tributação de louvor. Deram-lhe início as mulheres de Israel, indo à frente Miriã, irmã de Moisés, ao saírem elas com tamboril e danças. Longe, por sobre o deserto e o mar, repercutia o festivo estribilho, e as montanhas ecoavam as palavras de seu louvor - "Cantai ao Senhor, porque sumamente Se exaltou". PP, 288-289.

Ellen White torna o cântico de Moisés e a celebração de Miriam um evento só.
Não teve nada de "secular e entretenimento" aí.
Foi "sublime tributação de louvor", com percussão.

4) Citações bíblicas inadequadas. O seu artigo diz:
"Na musica secular ou de entretenimento, usavam-se instrumentos de percussão como o tamborim, às vezes traduzido por “adufe” (no hebraico, toph pequeno tambor de mão ou pandeiro), usado para acompanhar, ritmadamente, a musica e a dança, nas festividades e cortejos (Gn 3:27; Ex 15:20; Jz 11:34; 1Sm 10:5, 18:6; 2Sm 6:5; Sl 149:3; 150:4, etc)."

O que os versos de Ex 15:20; 1Sm 10:5, 18:6; Sl 149:3 e 150:4 fazem num parágrafo a respeito de música "secular e de entretenimento"? São verso que falam de música de louvor e adoração, e não de música secular e de entretenimento.

Já mostrei o que EGW fala dos outros textos, mas:
-Usar Salmo 149:3 para exemplificar música "secular e de entretenimento" foi um claro equívoco. O próprio Salmo afirma que se trata de louvor a Deus.
-Usar Salmo 150:4 para exemplificar música "secular e de entretenimento" foi outro claro equívoco. O próprio Salmo fala que se trata de louvor, não de entretenimento.
Eles tratam de genuína adoração. E incluem percussão.

5) Associação com o paganismo.
"Em se tratando de musica sacra, apresentada no culto em louvor a Deus, vê-se que tambores e tamborins (o mesmo que adufes) ficaram de fora da musica sacra, apresentada no templo, uma vez que estavam associados ao culto pagão e por fazerem parte da musica secular, de comemoração ou entretenimento."

Já vimos que a definição de “musica sacra = musica dentro do templo” é incorreta, pois havia musica de louvor e adoração fora do templo.
E falta base bíblica para afirmar que tambores ficaram de fora por estarem "associados ao culto pagão." A Bíblia não afirma isso em lugar algum (pelo menos eu nunca achei).

E se estar associado ao paganismo é problema:
- Prostitutas usavam harpas (Is 23:16)
- Pagãos usavam, dentre outros instrumentos, harpas e alaúdes (Is 14:11; Ez 26:13; Dn 3:5; Jó 21:12;)
- Incrédulos e bêbados infiéis usavam harpas, dentre outros instrumentos (Is 5:12)
- Um descendente de Caim é chamado de “pai dos que tocam harpa e flauta” (Gn 4:21).
- A maldição divina sobre a Babilônia mística do Apocalipse inclui:

“E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins, nem artífice de arte alguma se achará mais em ti. Em ti não mais se ouvirá ruído de mó”.

2 instrumentos usados no templo estão aí. E nem menciona a percussão.
Não existe nenhuma base bíblica para a afirmação que a percussão não entrou no templo por causa de sua associação com o paganismo. O Sr. deve ter tirado isso do livro do Bacchiocchi, e não da Bíblia. Além disso, o artigo ignora a ausência de outros instrumentos no templo, como a flauta.

6) A interpretação dos Salmos: Lógico que nos Salmos há linguagem simbólica e poética. Mas não há APENAS linguagem simbólica e poética. Usamos os Salmos para ensinar doutrinas como estado do homem na morte, inferno, mordomia, a messianidade de Jesus, etc. E sempre encaramos essas partes como literais (pelo menos alguns substantivos importantes).
Faltou critério aí. Aplicou-se um “8 ou 80 “ aos Salmos: ou é tudo simbólico ou é tudo literal. O que, logicamente, está errado.

Obviamente, quando a Bíblia menciona adufes e tamborins, isso não é meramente poético.
E Deus não inspiraria elementos poéticos pecaminosos para falar de louvor.
Seria como dizer “poeticamente”: “comei carne de porco no santuário, povo do Senhor”, ou “Louvai ao Senhor com vosso adultério”.
Pra mim, essa foi a pior parte do artigo.

7) Ellen White contraria o seu artigo. O senhor escreveu:
“Miriã e outras mulheres dançando com tamborins (Ex 15:20)
Como já foi mencionado, tamborins eram permitidos na música secular israelita, usados em ocasiões de alegria e entretenimento. Miriã e as demais mulheres não estavam fazendo um culto, mas cantando e dançando de alegria pela morte dos guerreiros egípcios, afogados no mar Vermelho.”


Ellen White não concorda com essa sua descrição:

“Semelhante à voz do grande abismo, surgiu das vastas hostes de Israel aquela sublime tributação de louvor. Deram-lhe início as mulheres de Israel, indo à frente Miriã, irmã de Moisés, ao saírem elas com tamboril e danças. Longe, por sobre o deserto e o mar, repercutia o festivo estribilho, e as montanhas ecoavam as palavras de seu louvor - "Cantai ao Senhor, porque sumamente Se exaltou".

Este cântico e o grande livramento que ele comemora, produziram uma impressão que nunca se dissiparia da memória do povo hebreu. De século em século era repercutido pelos profetas e cantores de Israel, testificando que Jeová é a força e livramento daqueles que nEle confiam. Aquele cântico não pertence ao povo judeu unicamente. Ele aponta, no futuro, a destruição de todos os adversários da justiça, e a vitória final do Israel de Deus. O profeta de Patmos vê a multidão vestida de branco, dos que "saíram vitoriosos", em pé sobre o "mar de vidro misturado com fogo", tendo as "harpas de Deus. E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro". Apoc. 15:2 e 3."
PP, 288-289.

Para o Dr. Ozeas, apenas uma ocasião de alegria e entretenimento.
Para Ellen White, um genuíno louvor profético, que aponta para nossa libertação final.

8) As Escolas dos Profetas (1 Sm 10:5). Sobre isso, o artigo diz:
"Uso de tamborins por um grupo de profetas em Gibeá-Eloim (1 Sm 10:5)
Esse texto indica que tamborins eram usados na música sacra antes das diretrizes instituídas pelo rei Davi (ver outro exemplo no salmo 68:24, 25). A partir dessas diretrizes, tamborins não são mais permitidos nem mencionados na música sacra israelita, por causa de sua associação com ritos pagãos."

Esse argumento merece ser “dissecado”, pois esse era um grupo de alunos das Escolas dos Profetas. Vou resumir o que EGW fala sobre isso (sem colocar os textos e a fonte, por questão de espaço):

-As Escolas dos Profetas foram idéia de Deus.
-A supervisão divina estava sobre todo o processo.
-O currículo incluía musica sacra como uma das principais disciplinas.
-Musica sacra não era praticada de qualquer jeito, mas cuidadosamente.
-Essa musica era de adoração.
-Essa musica era feita sob a influencia do Espírito Santo.
-Essa musica incluía tambores.
-Nas escolas dos profetas, a música (que incluía tambores) era ensinada com "um santo propósito, a fim de erguer os pensamentos àquilo que é puro, nobre e edificante, e despertar na alma devoção e gratidão para com Deus".
-Os principais assuntos nos estudos destas escolas eram a lei de Deus, com as instruções dadas a Moisés, história sagrada, música sacra (q incluía tambores) e poesia.
-Não havia valsas frívolas ou canções petulantes nas Escolas dos Profetas, mesmo com tambores.
-A arte da melodia sagrada era diligentemente cultivada. Ouviam-se sagrados e solenes salmos de louvor ao Criador, que engrandeciam Seu nome e relatavam Suas obras maravilhosas. Deste modo, fazia-se com que a música servisse a um santo propósito: erguer os pensamentos à aquilo que é puro, nobre e elevado, despertar na alma devoção e gratidão para com Deus. PP, 594.

O dr. Ozeas quer convencer o leitor que as Escolas dos Profetas ensinavam um tipo de musica que não refletia a vontade de Deus e que Deus apenas tolerou o erro deles e proibiu depois.
Ok. Só faltou nos informar de onde o Sr. tirou isso. Da Bíblia e de EGW não foi.

9) EGW e a Bíblia não concordam com o artigo
EGW o contradiz no assunto "A Escola dos Profetas" (1 Sm 10:5). Veja como ela descreve o evento:

"O Espírito de Deus era notadamente manifesto nesses seminários, em profecia e
musica sacra. Numa ocasião um grupo de profetas encontrou Saul no "monte de Deus", não longe de Gibea, com saltérios e tamborins, flauta e harpa.

Sob a influencia do Espírito Santo, esses homens estavam profetizando e louvando a Deus com a musica dos instrumentos e a voz do cântico.”
The Signs of the Times , 22 de Junho, 1882.

É música sacra institucional. Não é mero entretenimento tolerado e posteriormente corrigido.
É música divinamente instituída e divinamente influenciada. E com percussão.

De onde surgiu a sugestão implícita de que Deus apenas 'tolerou' isso e proibiu depois?
O dr. Ozeas deve mostrar mais claramente essa futura “proibição”, pois o que o artigo mostra são inferências baseadas em textos não tão claros, em detrimento de uma leitura simples e direta de textos claros. Textos claros interpretam textos obscuros, não?

Há um claro “assim diz o Senhor” posterior corrigindo o que era apenas tolerado (poligamia, uso de bebidas fortes, etc). Isso não acontece com o uso da percussão. A única coisa que o Dr. Ozeas apresenta é uma inferência baseada no argumento do silencio, que inclusive contradiz outros claros textos (Salmos por exemplo). Mas isso os evangélicos também fazem com o sábado e o dízimo no NT. E nós os combatemos.

Nesse parágrafo, o senhor também escreveu que depois “tamborins não são mais permitidos nem mencionados na música sacra israelita”. Os Salmos o contradizem, mencionando percussão na música de louvor e adoração israelita (Sl 68:25, 81:2, 149:3 e 150:4). Lembrando que a compilação desses Salmos inspirados mas supostamente equivocados no assunto "percussão" é bem posterior a Davi.

10) Igreja=Templo Judaico
“A música na igreja deve ser diferente da música secular, porque a igreja, como o antigo templo, é a casa de Deus e não um lugar de entretenimento. Instrumentos de percussão estimulam fisicamente e são inapropriados para a música na igreja hoje, como o foram para a música do templo no antigo Israel.”

Ninguém duvida que o lugar de culto cristão (chamado erroneamente de “igreja”) é um lugar especial, onde a reverência, decência e a ordem devem estar. Mas a comparação da “igreja” com o antigo templo (que permeia todo o artigo) é equivocada.
O templo não reflete o que praticamos hoje no culto cristão. Nosso culto não tem o ritual do santuário como modelo. Tambores e flautas não entraram no templo, bem como órgãos, decacórdios, estrangeiros, mulheres, aleijados, pregação, escolas sabatinas, coralzinho infantil, casamentos, bodas, cultos jovens, harmonia a quatro vozes, etc

11) A cereja do bolo: o texto de Indiana (como sempre)
Por que um artigo sobre música e percussão omite os textos de EGW sobre o cântico de Miriã, as Escolas dos Profetas, a descrição que ela faz do culto "erudito" sem percussão no Grande Conflito 566 e 567?
Mas é impossível encontrar um texto desses que não cite o famoso texto de Indiana.
O texto fala literalmente que a situação de Indiana se repetiria nas “reuniões campais”. Reuniões campais são reuniões campais. não são cultos JA, nem cantatas de Natal e nem cultos da Nova Semente.
Se você quer ampliar o texto e aplicá-lo ao cultos rotineiros da IASD, não restringi-lo às reuniões campais, extraia os princípios dali. Mas faça o mesmo com todos os elementos, e não pinçando a palavra “tambores” do texto. Ele não fala só de tambores.

Além disso, a experiência de Indiana (com tambores) é apenas mais uma das várias cenas de fanatismo que se repetiriam (como as de 1844, a do casal Mackin, etc). O detalhe que nunca escrevem em artigos é: a maioria delas aconteceu SEM tambores. Nossa história está aí, à disposição de quem quiser pesquisar. Publiquei algo a respeito em:
http://vanessinhameira.blogspot.com/2009/12/fanatismo-em-diferentes-maneiras-e.html

Muito já se publicou sobre o uso correto desse texto de Indiana em seu devido contexto. Artigo de Leandro Quadros e Valdeci Jr:
http://www.novotempo.org.br/advir/?p=1997

Não conheço o senhor, mas leio sempre os artigos que escreve e já ouvi falarem muito bem de sua capacidade como teólogo e professor de teologia. Não se trata de nada pessoal.
O que me motivou a escrever foi o “espírito” que está nesse texto :
"É importante que, ao defender as doutrinas que consideramos artigos fundamentais da fé, nunca nos permitamos o emprego de argumentos que não sejam inteiramente retos. Eles podem fazer calar um adversário, mas não honram a verdade. Devemos apresentar argumentos legítimos, que não somente façam silenciar os oponentes mas que suportem a mais acurada e perscrutadora investigação" (Evangelismo, p.166).

Deus o abençoe e continue iluminando o pastor e sua família.

Vanessa Meira