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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Tá... e quem criou Deus?"

Essa é a pergunta-objeção onipresente quando um cristão tenta usar o Argumento Cosmológico...
O Dr. Craig explica o erro dessa objeção:



O dr. Craig refere-se a uma posição ateísta que defende que o universo sempre existiu.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Não se fazem mais ateus como antigamente...

Ê juventude... caso perdido...

Ateu de modinha é fogo.
Literalmente.

domingo, 18 de abril de 2010

A opção do acaso exige vários universos - 2

a primeira parte dessa refutação à "opção do acaso" pode ser lida aqui.

3) Terceiro, não há provas da existência de um conjunto de mundos à parte do próprio ajuste fino. Mas o ajuste fino é igualmente evidência do projetista cósmico. Na verdade, a hipótese do projetista cósmico é mais uma vez a melhor explicação porque temos evidências independentes de sua existência na forma de outros argumentos (eg.: os argumentos favoráveis á existência de Deus). Em outras palavras: se o ajuste fino não desempata a questão a favor do Design, outros argumentos independentes o fazem.

4) Quarto, a hipótese de diversos mundos enfrenta um grande desafio advindo da teoria da evolução biológica. Com o propósito de embasamento, Ludwig Boltzmann, físico do século 19, propôs um tipo de hipótese de diversos mundos com o objetivo de explicar por que não encontramos o universo em um estado de “morte quente” ou equilíbrio dinâmico interior.

Boltzmann trabalhou em cima da hipótese de que o universo todo realmente existe num estado de equilíbrio, mas que, com o passar do tempo, flutuações no nível de energia ocorrem aqui e ali por todo o universo, de modo que, por mero acaso, haverá regiões isoladas desequilibradas. Boltzmann referiu-se a essas regiões isoladas como “mundos”. Não deveríamos nos surpreender por ver nosso mundo em estado de desequilíbrio altamente improvável, afirmava ele, uma vez que, no conjunto de todos os mundos, deve existir, apenas por acaso, certos mundos em desequilíbrio e o nosso mundo é simplesmente um desses.

O problema com a ousada hipótese de diversos mundos de Boltzmann foi que, se o nosso mundo fosse simplesmente uma flutuação em um mar de energia difusa, então seria muito mais provável que devêssemos observar uma região muito menor de desequilíbrio do que a que se pode ver. Para que pudéssemos existir, uma flutuação menor – mesmo que produzisse nosso mundo instantaneamente por meio de um enorme incidente – é inestimavelmente mais provável do que o declínio progressivo na entropia que tivesse acontecido durante 15 bilhões de anos para produzir o mundo que vemos.

De fato, a hipótese de Boltzmann, caso tivesse sido adotada, nos forçaria a considerar o passado ilusório, no qual todas as coisas teriam a simples aparência de idade e as estrelas e planetas seriam ilusões, meros “retratos” de como eram, uma vez que esse tipo de mundo é imensamente mais provável, dado o estado de equilíbrio geral, do que o mundo com eventos genuínos, distantes no aspecto temporal e espacial.

Portanto, a hipótese de diversos mundos de Boltzmann foi rejeitada pela comunidade científica e o atual desequilíbrio é considerado simplesmente como resultado da condição inicial de baixa entropia misteriosamente obtida no início do universo.

Nesse momento, um problema paralelo se coloca sobre a hipótese de diversos mundos como explicação do ajuste fino. De acordo com a predominante teoria da evolução biológica, a vida inteligente como nós mesmos, se é que evolui, o fará no período mais próximo possível do final da vida do Sol. Quanto menor o tempo disponível para os mecanismos da mutação genética e da seleção natural funcionarem, menor a probabilidade de evolução de vida inteligente. Dada a complexidade do organismo humano, é muito mais provável que os seres humanos evoluam no final da vida do Sol do que em seu início.

Com efeito, John Barrow e Frank Tipler listam dez passos na evolução do Homo sapiens, cada um deles tão improvável que, antes de poder acontecer, o Sol teria deixado de existir como estrela e teria incinerado a terra (The anthropic cosmological principle. Oxford: Clarendon, 1986, p. 561-565). Consequentemente, se o nosso universo nada mais é que membro do conjunto de mundos, então, presumido para o bem do argumento que a idéia evolucionista predominante da complexidade biológica esteja correta, é muito mais provável que devêssemos observar um Sol bastante velho, em vez de relativamente jovem. Caso sejamos produtos da evolução biológica, deveríamos nos ver num mundo no qual evoluímos bem no fim da vida de nossa estrela (isso é análogo a ser muito mais provável que devêssemos existir numa região menor de desequilíbrio na hipótese de Boltzmann).

De fato, adotar a hipótese de diversos mundos para banir o ajuste fino também resulta em um tipo estranho de ilusionismo: é muito mais provável que todas as nossas estimativas sobre as idades astronômicas, geológica e biológica estejam erradas, que realmente existimos no período final da vida do sol e que a aparência de jovem da terra e do sol seja uma enorme ilusão (isto se compara mais á probabilidade de que toda evidência de idade avançada do nosso universo seja ilusória na hipótese de Boltzmann). Assim, a hipótese de diversos mundos não é mais bem-sucedida ao explicar o ajuste fino cósmico do que ao explicar o desequilíbrio cósmico.

Por essas quatro razões (leia aqui a primeira e a segunda), a hipótese de diversos mundos enfrenta um severo desafio como candidata a melhor explicação do ajuste fino cósmico observado. Portanto, parece ser plausível que o ajuste fino do universo não se deva nem à necessidade física e nem ao acaso. O resultado é que o ajuste fino se deve, portanto, ao desígnio, a não ser que se possa demonstrar que a hipótese do Design seja ainda menos plausível que suas concorrentes.

Conclusão
A hipótese do acaso só pode ser razoavelmente defendida pela postulação de um conjunto de mundos de um número infinito de universos aleatoriamente variados nos quais nosso universo aparece sozinho, por acaso. Mas tal hipótese é comprovadamente inferior à hipótese do Design porque (1) ela é menos simples, (2) não existe maneira conhecida de gerar um conjunto de mundos, (3) não existe evidência independente para a existência de um conjunto de mundos e (4) ela é incompatível com a teoria evolucionista biológica contemporânea. Portanto, o Design é a melhor explicação.

O que dizer da opção do acaso?

No silogismo referente ao argumento teleológico:
1- O ajuste fino do universo se deve à necessidade física, ao acaso ou ao desígnio.
2- Ele não é devido à necessidade física e nem ao acaso
3- Portanto, ele se deve ao desígnio.
ao analisar a premissa 2), já explicamos por que a opção "necessidade física" para o ajuste fino do universo não é a melhor. Um leitor nos garantiu que a opção do "acaso" era a melhor opção. Vamos analisar.

Alguém pode tentar procurar eliminar essa hipótese tanto apelando para a complexidade específica do ajuste fino cósmico quanto pela argumentação de que o ajuste fino é significativamente mais provável no Design (que pode levar ao teísmo) que na hipótese do acaso (ateísmo).

Às vezes surgem objeções de que não há sentido em falar de probabilidade da existência de nosso universo precisamente ajustado por existir, afinal de contas, apenas um universo. Mas a ilustração a seguir esclarece o sentido no qual o universo que permite a existência da vida é improvável:

Pegue uma folha de papel e coloque sobre ela um ponto vermelho. Esse ponto representa nosso universo. Agora, altere levemente uma ou mais constantes e quantidades físicas precisamente ajustadas que tem sido o foco de nossa atenção. Como resultado, temos a descrição de outro universo, que podemos representar por meio de um novo ponto perto do primeiro. Se esse novo conjunto de constantes e quantidades descrever um universo que permite a existência de vida, pinte-o de vermelho; se ele descrever um universo que impede a existência de vida, pinte-o de azul. Agora repita o procedimento arbitrariamente muitas vezes até que a folha esteja cheia de pontos. No final, haverá um mar de pontos azuis e apenas alguns pequenos pontos vermelhos. Nesse sentido é que é altamente improvável que o universo devesse permitir a existência de vida. Simplesmente existiriam muito mais universos que impedem a existência de vida em nossa área de universos possíveis do que universos que permitam existência de vida.

Pode ser levantada a objeção de que não sabemos se todos esses possíveis universos são igualmente prováveis. Com efeito, isso nos leva a afirmar que a verdadeira diversidade de valores possíveis para determinada constante ou quantidade pode ser bastante pequena. Mas mesmo que esse fosse o caso, quando temos muitas variáveis exigindo um ajuste fino, a probabilidade da existência de um universo que permitisse a existência de vida ainda é muito pequena.

Além do mais, na ausência de qualquer razão física para pensar que os valores são forçados, estamos justificados ao presumir o “princípio da indiferença” com o efeito de que a probabilidade da existência do nosso universo será igual à probabilidade da existência de qualquer outro universo representando na folha de papel.

Pode-se exigir que se responda por que deveríamos considerar apenas os universos representados na folha. Talvez haja universos possíveis detentores de variáveis físicas e leis naturais completamente diferentes das nossas e que permitam a existência de vida (fora da folha). Talvez esses universos contivessem formas de vida bastante diferentes das conhecidas. O teleologista não precisa negar essa possibilidade, pois esses mundos são irrelevantes para sua argumentação. Sua afirmação é que, no grupo local de universos possíveis (na folha), qualquer universo que permita a existência da vida é altamente improvável.

John Leslie nos dá a ilustração de uma mosca, descansando numa grande área livre de uma parede. Dispara-se um único tiro e a bala atinge a mosca. Se o resto da parede, fora da área limpa, estivesse coberto de moscas, esse tiro disparado aleatoriamente teria boas chances de atingir “uma” mosca. Todavia, permanece altamente improvável que um único tiro, aleatório, pudesse atingir “a única” mosca pousada na grande área limpa. Do mesmo modo, precisamos apenas nos concentrar nos universos representados na folha de papel para determinar a probabilidade da existência de um universo que permita vida. (continua)

Como duvidar de um Designer tão detalhista?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Novamente, o argumento teleológico

Antes, uma explicação: pretendo fazer postagens sucessivas sobre os argumentos racionais para a existência de Deus. Como pessoas engajadas em discussões filosóficas e apologéticas deveriam saber, esses argumentos são cumulativos, e a somatória deles leva o peso da evidência não apenas em direção ao teísmo, mas finalmente em direção ao teísmo cristão.

Aqui você pode assistir William Lane Craig resumindo de modo simples o argumento teleológico (que me parece um alienígena para cristãos, céticos e pseudo-céticos).



(espero não ter que desenhar...)

domingo, 11 de abril de 2010

O Demente e o universo fisicamente necessário

Um leitor Demente (esse é o seu nick) discordou de um argumento teleológico em favor da existência de Deus, que é o seguinte:

1) O ajuste fino do universo se deve à necessidade física, ao acaso ou ao design.
2) Ele não é devido à necessidade física e nem ao acaso.
3) Portanto ele se deve ao design.

O Demente reescreveu o argumento da seguinte forma:
1- A vida, o universo e tudo o mais - inclusive o Projetista, se ele existir - se devem à necessidade física, ao acaso ou ao desígnio.
2- Eles não são devido nem ao acaso e nem ao desígnio.
3- Portanto, a vida, o universo e tudo o mais - inclusive o Projetista, se ele existir - existem devido à necessidade física.

Para ele, o ajuste fino do universo se deve à necessidade física (fisicamente, o universo tinha que ser necessariamente assim, sem opções). Em resposta, transcrevo e adapto aqui a justificativa de parte da premissa 2) de J. P. Moreland e William Lane Craig [1]

É possível que o ajuste fino cósmico seja plausivelmente atribuído à necessidade física? De forma mais simples: o ajuste fino do universo surgiu inevitavelmente por ser fisicamente necessário? Se sim, então o universo é o que é porque fisicamente tinha que ser assim, sem opções.

Fracas razões para se acreditar
De acordo com essa alternativa, as constantes e as quantidades devem ter os valores que possuem, e realmente não havia a possibilidade – ou a possibilidade era muito pequena – de o universo NÃO permitir a existência de vida. Dessa maneira, essa alternativa parece extraordinariamente implausível. Ela exige que acreditemos que um universo que impedisse a existência da vida fosse fisicamente impossível. Mas isso não parece possível.

Se a matéria e a antimatéria primordiais tivessem proporções diferentes, se o universo tivesse se expandido um pouco mais lentamente, sem que a entropia do universo fosse magistralmente maior, qualquer desses e de outros ajustes teria impedido a existência do “universo com vida”, embora tudo pareça perfeitamente possível no aspecto físico.

A pessoa que afirma que o universo deve permitir a existência de vida envereda por uma linha radical que exige provas muito fortes. Entretanto, não há nenhuma; essa opção é simplesmente colocada em evidência como mera possibilidade.

Ás vezes os físicos e filósofos da ciência falam sobre uma teoria ainda por ser descoberta chamada “teoria de tudo” (TDT), mas, assim como muitos nomes chamativos aplicados a teorias científicas, trata-se de algo bastante enganoso. A TDT na verdade tem o objetivo limitado de fornecer a teoria unificada das quatro forças fundamentais da natureza, ou seja, reduzir a gravidade, o eletromagnetismo, as forças forte e fraca ao nível da força fundamental carregada pela partícula fundamental.

Espera-se que tal teoria explique por que essas quatro forças possuem os valores atuais, mas sem tentar explicar verdadeiramente qualquer coisa. Uma das mais promissoras candidatas a TDT até hoje, por exemplo, é a “teoria das supercordas” ou “teoria M”. nessa teoria, o universo deve possuir onze dimensões, mas a razão pela qual o universo deve possuir esse número de dimensões não é abordada pela teoria.

Consequentemente, ninguém deve ser enganado por uma TDT e pensar que o universo possui todas as constantes fundamentais e as devidas quantidades por necessidade física.

Boas razões para se rejeitar
Ao contrário, existem bons motivos para rejeitar essa opção, pois ela exigiria a afirmação de que apenas o conjunto de constantes e quantidades é compatível com as leis da natureza, o que parece falso. Mesmo que as leis da natureza fossem necessárias por si sós, ainda seria preciso fornecer as condições iniciais. Como afirma Paul Davies:
“Mesmo que as leis físicas fossem singulares, não seria possível concluir que o universo físico em si fosse singular... As leis da física devem ser acrescidas das condições cósmicas iniciais... Não existe nada nas idéias atuais sobre ‘leis de condições iniciais’ que remotamente sugira sua coerência com as leis da física implicando em singularidade. Longe disso...
Parece, portanto, que o universo físico não precisa ser do jeito que é: ele poderia ter sido diferente.”[2]
A condição de entropia extraordinariamente baixa do universo primevo nos fornece um bom exemplo da quantidade arbitrária que parece ter simplesmente sido colocada na criação como condição inicial.

Além do mais, parece provável que qualquer tentativa de reduzir significativamente o ajuste fino envolverá, por fim, o próprio ajuste fino. Esse certamente tem sido o padrão do passado. Tentativas de eliminar o ajuste fino dos parâmetros W0 e H0, por exemplo, apelando aos chamados “modelos inflacionários” do universo primitivo, simplesmente suprimiram o ajuste fino nesse ponto para vê-lo surgir novamente em outro, a saber, o ajuste fino da constante cosmológica L. Essa constante – hipoteticamente conducente á expansão inflacionária – deve ser ajustada com precisão de pelo menos uma parte em 10 elevado a 53. Não razão para pensar que a apresentação da constante toda e de toda a quantidade como fisicamente necessária seja algo além de uma idéia impraticável.

Conclusão
A presença de condições iniciais do universo ajustadas com precisão pode ser explicada como resultado da necessidade física, do acaso ou do design. A hipótese de que um universo que permite a existência de vida seja “fisicamente necessário” não é apenas uma especulação sem base, mas, na verdade, vai contra as evidências.

Assim, na premissa 2), a opção “necessidade física” não se sustenta. Mas se o leitor Demente ou qualquer outro, quiser agora defender a opção do acaso, fique à vontade.

_________________________________
[1] J. P. Moreland e William Lane Craig, Filosofia e cosmovisão cristã (São Paulo: Vida Nova, 2005), 589-591.
[2] The anthropic cosmological principle (Oxford: Clarendon, 1986), p. 561-5.

sábado, 20 de março de 2010

A auto-ilusão ateísta

William Lane Craig, em debate com Cristopher Hitchens, responde a questão sobre o sentido da vida, e como o ateu é obrigado por sua cosmovisão a se iludir a fim de continuar vivendo: criar "sentidos da vida" subjetivos, pois objetivamente a via não tem sentido no ateísmo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Discuta as grandes questões da vida

No meio do debate entre teístas e ateístas, entre criacionistas e evolucionistas, percebo um fenômeno: ou a discussão gira em torno do “científico” (artigos, pesquisas, autores, etc) ou em torno do “filosófico” (as premissas que proporcionam interpretações diferentes para um mesmo dado).

Ateus e evolucionistas seqüestraram a discussão cientifica: eles acham que dominam essa área, definem termos, determinam as regras do debate e julgam quais argumentos são válidos ou não usando suas próprias pressuposições como padrão. O resgate da ciência não passa apenas pela discussão científica, a grande batalha se trava no campo filosófico.

A propaganda anda tão ao gosto de Goebbels que já andam confundindo ciência com ateísmo e ciência com naturalismo filosófico, e fazem ar de “que absurdo!” quando você discorda e mostra que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” (como diriam os grandes filósofos-comentaristas de futebol na tv).

Tenho percebido que quando o cristão conduz sutilmente a discussão para o campo filosófico, o cético se sente desconfortável a medida em que se aproxima das questões metafísicas. Isso se deve ao fato de que o acaso e falta de propósito, o relativismo moral ilimitado e a desconcertante "certeza" de que o universo e a vida não têm nenhum significado nem propósito não dão terreno sólido a ninguém.

Eles não gostam de discutir as grandes questões metafísicas. Exatamente por isso: discuta questões filosóficas.

Mas para isso, você precisa conhecer a sua cosmovisão. Cristianismo não é a sua religião de fim de semana, é a sua visão de mundo. Não existe nenhuma área da sua vida em que o cristianismo não deva se meter. Enquanto continuarmos dividindo nossa vida em compartimentos estanques, o cristianismo sera apenas um detalhe místico e estranho da sua vida.

Nos meios academicos ouvimos frases como "O professor X é crente, mas é muito inteligente", ou "eu sou cristão, mas no laboratório eu faço ciência como um ateu". Por que insistimos em aceitar (e por vezes colocar) esses "mas" nessas frases?

Deixe de ser apenas um religioso em pedaços, e torne-se um cristão inteiro, de verdade. Viva o cristianismo em imersão total. Desse modo, você terá mais condições e mais autoridade para levar os descrentes a refletirem sobre as grandes questões da vida: as questões metafisicas.

Resumida aqui na incrível composição de Mario Jorge Lima e Lineu Soares: "Escolhi acreditar"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

“Ninguém nunca matou em nome do ateísmo"

por Isaac Malheiros
“Ateísmo nunca fez mal a ninguém!”
“Ateus nunca saíram por aí matando pessoas”
“Ateus mataram religiosos em nome do comunismo, não em nome do ateísmo”, dizem os críticos da religião, ignorando toda a doutrinação anti-religiosa impulsionada pelo aspecto ateísta do regime.

Essas frases aparecem sempre, em formas semelhantes, em conversas e debates entre cristãos e ateus.

Pessoalmente, não gosto quando a discussão chega a tal nível, pois me parece pouco racional ficar discutindo quem matou mais. O que me importa isso? Se o cristianismo é logicamente verdadeiro, não me importa se todos os cristãos virarem maníacos assassinos de um dia para o outro. A veracidade do cristianismo não deveria ser medida pela incompetência dos cristãos em viverem de acordo com os princípios ensinados por Jesus Cristo. E isso também vale para qualquer outra cosmovisão (e aqui esta o problema dos que defendem uma cosmovisão naturalista: não há base objetiva para conceitos morais).

A questão não é “quem fez mais maldades?”, mas “o que fizeram estava de acordo com a cosmovisão que professavam?”

No entanto, para que você não tenha mais que ficar ouvindo essas frases ateístas, apresento-vos Enver Hoxha – o responsável pelo primeiro estado ateu do mundo.
A Albânia de Enver Hoxha soma-se aos feitos ateístas já bem conhecidos de Mao Tse-Tung, Stalin, PolPot e toda aquela lista que você já deve conhecer.

Mas o caso da Albânia de Enver Hoxha é diferente. Trata-se de ateísmo aberta e oficialmente instituído, como um item importantíssimo da agenda política. O Estado declarou como crime qualquer espécie de expressão religiosa. Os métodos usados foram a tortura e a perseguição, e milhares de cristãos foram assassinados pelo regime oficial e declaradamente ateu.

Examine você mesmo a Constituição Albanesa de 1976 nesse link.

O artigo 37 diz:
“O estado não reconhece nenhuma religião e apóia a propaganda ateísta para o propósito de inculcar a visão de mundo do materialismo cientifico no povo.”

O artigo 55 diz:
“A criação de qualquer tipo de organização de caráter fascista, anti-democratica, religiosa e anti-socialista é proibida.
Atividades e propagandas fascistas, anti-democraticas, religiosas, belicistas e anti-socialistas, bem como o incitamento ao ódio nacional e racial estão proibidos.”

Quando confrontados com Stalin, Mao ou Pol Pot, a tática dos neo-ateus é bem simples: jogar toda a culpa no socialismo, no comunismo ou em qualquer outro item da agenda política a fim de livrar o ateismo. Mas Enver Hoxha não deixa margens para essa manobra de fuga: ele claramente suprimiu a religião para promover o ateísmo. Ele perseguiu, prendeu e matou assumidamente em nome do ateísmo.

Leia artigo sobre o livro-reportagem do pastor e jornalista Jonatas Lincoln Ferreira intitulado A Fé nos Bálcãs. A origem e o estabelecimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia num País Ateu clicando aqui.

(Para completar, você poderia apresenta-lo a um outro ateu nervoso: Tomás Garrido Canabal , mas deixemos esse para um outro post.)

Que objeções o ateu poderia fazer? É difícil ate imaginar.

1) “Os cristãos mataram bem mais gente em nome de Deus” – Essa informação não corresponde absolutamente aos dados históricos disponíveis. No entanto, numa conversa informal, dificilmente você terá os dados corretos a mão. Mas nem precisa, pois a objeção falha num ponto já abordado: cristão não tem base na doutrina cristã pra matar ninguém. As Cruzadas, por exemplo, foram uma clara e inequívoca desobediência aos ensinos de Jesus Cristo. Em poucas palavras: o cristão genocida contradiz os claros princípios estabelecidos por Cristo. O ateu genocida não contradiz nada, ele esta plenamente justificado e de acordo com sua cosmovisão.

Enver Hoxha e outros ateus genocidas foram coerentes com sua cosmovisão, não ferindo nenhum principio.

2) “O Deus do Antigo Testamento é o maior genocida de todos.”
Deixando de lado a resposta teologicamente sofisticada, indico algumas respostas que cabe bem em conversas informais.
“E daí? Mesmo se for verdade, isso por acaso inocenta os ateus?” ou
“Então você acha que a existência de Deus é tão factual quanto a existência de Enver Hoxha? Por que a comparação? Você passou a crer na existência de Deus agora?”

3) “Proporcionalmente, existem menos bandidos ateus no mundo do que bandidos cristãos”
Essa objeção é um truque, baseado em dados inexistentes ou duvidosos, e pode ser refutada de varias formas:
a. O neo-ateismo tornou nebuloso o significado de “ateu”. Nem os ateus sabem direito o que é “ateu”. Se o seu amigo acha que ateu é quem não crê em nenhuma divindade, então a objeção nasceu morta: ele deve considerar todos os budistas como ateus, por exemplo. E deve logicamente reconhecer que existem criminosos nas sociedades budistas, o que elevaria o índice de “bandidos ateus”.
b. Existem pesquisas que revelam o crescimento da taxa dos “sem religião” na população carcerária de São Paulo, a maior do Brasil. O numero de presos “sem religião” chega a ser o dobro dos “sem religião” na sociedade. Por tanto, proporcionalmente, existem mais presos “sem religião” do que “religiosos”. E se o amigo ateu disser que “sem religião” não significa necessariamente “ateu”, pergunte como ele pode fazer a afirmação 3) sem saber quantos dos “sem religião” são ateus, e volte para o item a. (veja algumas pesquisas sobre isso aqui e aqui)
c. Mesmo que ele tenha razão, ele não pode provar que crer ou não em Deus é o fator determinante para se cometer crimes. Outros fatores mais importantes podem estar envolvidos.
d. A existência do cristianismo nominal: se para ser cristão basta ter segurado uma Bíblia alguma vez na vida, então não existem ateus no mundo. Obviamente, muitos dos criminosos que se declaram cristãos não sabem sequer o que é cristianismo, trata-se apenas de tradição familiar, costume. Biblicamente, não existe a figura fantasmagórica do cristão “não-praticante”, e a Bíblia é quem define o que é um cristão.
e. Se você estiver com tempo e quiser entrar numa discussão sem fim, analise com seu amigo ateu alguns rankings internacionais de violência, como o Global Peace Index . Leve em conta fatores econômicos, religiosos, culturais e... divirta-se.

4) “Existem cristãos que matam em nome de Deus” – Existem pessoas que matam por dinheiro, por futebol e por amor.
Qualquer um pode matar em nome de qualquer coisa, mesmo em nome do ateísmo, conforme Enver Hoxa demonstrou. O ponto central é: a ação do criminoso é coerente com a sua cosmovisão ou a contradiz em algum ponto?

5) “Mesmo que o ateísmo esteja envolvido, nunca um ateu ligou suas ações violentas ao seu ateísmo. Por outro lado, teistas praticam violência abertamente em nome da religião”
Para refutar isso, basta um rápida lida em declarações como:

-"Nós odiamos o cristianismo e os cristãos." Lunatcharsky
-"Deus é uma mentira." Lénin
-"O homem que se ocupa em louvar a Deus se suja na sua própria saliva." Lénin
-"Deus é o inimigo pessoal da sociedade comunista." Lénin, carta a Gorki
-"No momento oportuno nós nos atracaremos com o senhor Deus. E o aniquilaremos, lá nos seus altos céus." Grigori Zinoviev
-“Nosso programa inclui necessariamente a propaganda do ateísmo” Lênin
-“Ouvi um torturador chegar a dizer: ‘Agradeço a Deus, em quem não creio, por poder viver até essa hora em que posso expressar todo o mal que há em meu coração”. Richard Wurmbrand, cristão torturado em prisões comunistas

Percebam que essa discussão tem a tendência de se alongar cada vez mais, pois trata de assuntos subjetivos, termos indefinidos, argumentos que são facas de dois gumes e dados discutíveis. Em certos momentos deixa de ser uma discussão estritamente racional e se torna uma disputa meramente retórica e emocional.

Mas se há alguém tentando convence-lo de que o ateísmo é a porta de entrada para o paraíso, esses argumentos acima servem para alguma coisa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ausência de evidencia não é evidência de ausência

A frase: “ausência de evidencia não é evidência de ausência” é correta em alguns casos, mas não pode ser generalizada. Na física teórica existem entidades postuladas para as quais ainda não existem evidência, mas ninguém afirma dogmaticamente que elas não existam. A frase se aplica a essa situação, pois com certeza há boas razões lógicas para se acreditar em tais entidades.

Analise a seguinte ilustração:

Existem casos em que a ausência de evidência é evidência de ausência. Se alguém afirmar que existe um hipopótamo na garagem do meu prédio, e eu descer até lá e não observar um hipopótamo entre os carros, teria uma boa e justificada razão para pensar que não existe hipopótamo algum ali.

Porém, se a afirmação for que existe um mosquito da dengue na garagem do prédio, então a minha falha em detectar tal mosquito não seria uma boa razão para pensar que de fato não há mosquito algum ali.

Obviamente, você percebeu a diferença entre os dois casos: no primeiro, espera-se ver imediatamente alguma coisa; no segundo, não. O segundo caso dá muito mais trabalho para se confirmar, pois teríamos que explorar meticulosamente a garagem em busca de evidências do mosquito.

Então, a ausência de evidência não é definitivamente evidência de ausência no caso do mosquito, mas é evidência de ausência no caso do hipopótamo. Claro que essa é uma ilustração limitada, não se aplica de modo tão simplório ao caso da existência de Deus, mas serve pra perceber que a frase não pode ser generalizada.

A discussão gira em torno da quantidade de indícios que temos e a quantidade de indícios que esperávamos ter se a tal “coisa” existisse. No caso de Deus, o teísta acha que temos indícios suficientes para crer. O ateu acha que não, e esperava mais e melhores indícios se um ser como Deus realmente existisse.

Temos aqui, no máximo, um ponto a favor da agnosticismo, não do ateísmo (apesar do swing ideológico e da infidelidade partidária que anda rolando entre ateus e agnósticos ultimamente).

Alguns ateus reclamam das evidências que temos, e exigem coisas do tipo:

-“Por que Deus não escreve ‘Eu existo’, em letra de fogo nos céus?”

-“Não seria mais fácil se Deus tivesse escrito ‘Feito por Deus’ em cada átomo?”

-“Deus não teria impedido a descrença se aparecesse todo dia à meia noite com luzes e show pirotécnico no espaço?”

No entanto, e em primeiro lugar, quem disse que Deus quer que as pessoas creiam na sua existência? Pode ser que Deus exista, mas não tenha como prioridade a crença ou descrença humana em sua existência, e por isso tenha dado apenas evidências suficientes para o que se propôs: um relacionamento espiritual.

Na verdade, a Bíblia não apresenta Deus se esforçando para convencer os homens de que Ele existe. Ela mostra Deus tentando estabelecer um relacionamento com o homem, baseado no amor (Rm 8:16 e 17). Claro que esse relacionamento só é possível se a pessoa crê que Deus existe, mas os demônios crêem que Deus existe, e isso não é virtude alguma (Tg 2:19).

Não temos motivos para acreditar que se Deus atendesse às exigências dos ateus, muito mais pessoas teriam um relacionamento de amor com Ele (Lc 16:30 e 31). Na Bíblia, grandes milagres e manifestações de Deus foram seguidas de grande apostasia e rejeição.

Se Deus atendesse hoje à reclamação ateísta, não há garantias de que isso mudaria a situação ao ponto de mais pessoas se salvarem. Por isso, o ateu não pode mais continuar usando frases como: “se um ser como Deus existisse, ele teria tornado sua presença mais evidente”.

Temos evidências lógicas suficientes para crermos em Deus e mantermos um relacionamento com Ele. A maior delas é histórica: a vida e ensino de Jesus Cristo. Sugiro começar por aí.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mau igual o pica-pau? Quem disse?

por Isaac Malheiros

Eis o personagem mais anti-ético e sem-moral da TV: o Pica-Pau. Mas se Deus não existe, essa é apenas a minha opinião injustificável, e ele pode ser um exemplo do cidadão ideal na sua opinião injustificável. Quando se discute sobre a existência de Deus, ou sobre a teoria da evolução , é bem comum surgir o tema da moral.

Esse é o argumento axiológico [1] teísta:
“Qual é a fundamentação dos princípios morais e éticos? Se eles não são derivados de Deus nem estão firmados em algum fundamento transcendente, então eles são efêmeros.”

Em palavras mais simples:
“Podemos ser bons sem Deus?”

Aqui reside o problema: cristãos e ateus se enrolam por não prestarem atenção na questão. Por isso, vamos fazer uma lista do que NÃO é o argumento axiológico em várias formas:

1) Não é: “podemos ser bons SEM ACREDITAR em Deus?” A pergunta original não é essa. Mas os ateus sempre respondem a essa pergunta que não foi feita. Obviamente, um ateu pode levar uma vida boa e decente. Mas repare que há uma enorme diferença entre a possibilidade de ser bom “sem Deus” e “sem acreditar em Deus”.

A pergunta correta se refere à existência de Deus, quer acreditemos nele ou não. E o segredo consiste justamente em se definir o que é “bom” sem um padrão transcendente. Se não há esse padrão, “bom” se torna mera opinião pessoal ou convenção social.

2) Não é: “podemos FORMULAR um sistema de ética sem qualquer referência a Deus?” Se o ateu provar que os seres humanos têm valor objetivo, então tudo bem: concordaríamos com o sistema ético que ele formulou som Deus. A dificuldade do ateu reside justamente em se mostrar esse valor objetivo do ser humano sem Deus. Nesse ponto, geralmente o ateu apela para o discurso emocional.
3) Não é: “podemos RECONHECER a existência de valores morais objetivos sem qualquer referência a Deus?” A pessoa não precisa se referir a Deus para reconhecer que deve amar os filhos por exemplo. Ateus e teístas concordam nesse ponto.

O ponto central é: se os valores morais são objetivos eles têm uma base transcendente. Se não, trata-se apenas de opinião, e discussões morais têm tanto sentido quanto se discutir se sorvete de creme é mais gostoso que o de chocolate. Assim, Madre Teresa e Michael Myers fizeram coisas que estão no mesmo nível, e o ursinho Pooh e o Pica-Pau estão igualmente "certos" em todas as suas atitudes.

Se Deus não existe, então qualquer base para se considerar a moralidade do bando entre os Homo sapiens objetivamente verdadeira foi removida. Os seres humanos são simplesmente subprodutos acidentais da natureza que evoluíram num tempo relativamente recente de uma partícula infinitesimal de poeira perdida em algum lugar de algum universo hostil e abandonado e que estão destinados a morrer individual e coletivamente em um período relativamente pequeno.


Uma ação qualquer – digamos, o estupro – pode não ser socialmente vantajosa, e assim, no curso da evolução humana, tornou-se tabu; contudo, na visão ateísta, é difícil enxergar por que existiria algum erro em estuprar alguém. Colocando as coisas de maneira grosseira, na visão ateísta os seres humanos são simplesmente animais, e os animais não são agentes morais.[2]

Para encerrar, as palavras do filósofo da ciência, Michael Ruse:

O conceito do evolucionista moderno [...] é que os humanos têm consciência de moralidade [...] por que ela é de valor biológico. A moralidade é uma adaptação biológica tanto quanto as mãos, os pés e os dentes...
Considerada um conjunto de afirmações racionalmente justificáveis sobre algo objetivo, a ética é ilusória. Acho interessante notar que, quando alguém diz “Ame o seu próximo como a si mesmo”, as pessoas fazem uma referência a algo que está acima e além de si mesmas [...] Todavia, tal referência não possui qualquer fundamento. A moralidade é simplesmente uma ajuda à sobrevivência e à reprodução, e qualquer significado mais profundo é ilusório”.[3]

Aí está um evolucionista sincero.

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[1] Axiologia é o ramo da filosofia que estuda os valores, por vezes se confunde com ética.
[2] Baseado no capítulo “A existência de Deus (2)” da obra de J. P. Moreland e William Lane Craig, Filosofia e cosmovisão cristã, São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 587 a 609.
[3] Evolutionary theory and Christian ethics. The Darwinian paradigm. London: Routledge, 1989, p. 262, 268-269.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ande a segunda milha: reduza ao absurdo

por Isaac Malheiros
“Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5.41).

As idéias têm conseqüências. Numa discussão é sempre bom mostrar as conseqüências das idéias erradas do seu “adversário”. Em argumentação e lógica, existe um modo muito eficaz (e divertido) de fazer isso e refutar as idéias de um oponente: a redução ao absurdo.

Basicamente, “redução ao absurdo” significa mostrar ao oponente que se ele estiver certo em alguma premissa, o resultado do desenvolvimento da sua idéia é algo absurdo, contraditório, impossível, ilógico. Podemos, assim, concluir que a premissa não é verdadeira.

Funciona assim:
1) “Ok, Sr. Relativista: não existe verdade absoluta.
2) “Suponhamos que todas as verdades sejam de fato relativas à cultura e às experiências do indivíduo ou do grupo, etc”.
3) "Isso inclui a afirmação ‘não existe verdade absoluta’ e a própria declaração 2)"
Conclusão: "a sua própria teoria sobre a verdade é apenas reflexo cultural ou fruto de sua experiência, e ninguém precisa concordar com você, pois trata-se apenas de opinião, verdade subjetiva culturalmente restrita."

Você começa usando premissas com as quais o seu oponente concorda. Então você acrescenta a premissa chave: aquela que o oponente acredita ser verdadeira, mas você acha que é falsa. Então você demonstra que o resultado de usar aquela premissa é uma contradição.

Parafraseando Jesus: "Se alguém quer te convencer do relativismo moral, ande com ele até a pedofilia, o genocídio, a bestialidade, o caos generalizado que será a consequência de suas idéias."

Ou ainda: "se alguém caminha com você até o ateísmo, não pare por aí: vá com ele até às desastrosas consequências lógicas, metafísicas, morais, epistemológicas, etc de suas idéias ateístas."
Isso é muito útil especialmente quando algum gênio quer provar que não existem leis da lógica, usando as leis da lógica. Ou quando querem mostrar que é verdade que não existem verdades. Ou quando querem dizer em português: "eu não sei falar nenhuma palavra em português" ou qualquer outra contradição absurda e engraçada (mas incrivelmente levada a sério nos meios acadêmicos...).

Diante de uma redução ao absurdo, o seu oponente pode apenas desistir de usar aquelas premissas, mas não precisa mudar de crença. Desse modo, se você reduz a argumentação de um ateu ao absurdo, ele poderá continuar ateu, mas nunca mais irá usar aquele argumento de novo com você por perto.

Redução ao absurdo é andar a segunda milha intelectual. É levar o seu amigo cético a ir além do superficial “Deus não existe”, e ver as consequências lógicas disso.
Ande a segunda milha. É útil, e divertido.

Nos comentários desse post há um exemplo de “redução ao absurdo” feito por esse autor, um pouco desorganizado, mas divertido.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Não aguento mais pseudo-céticos

Cristão: “Tudo o que começa a existir tem uma causa.”
Cético-de botequim: “Por que?”
Cristão: “Bem, podemos constatar isso todos os dias em nossa realidade.”
Cético-de-botequim: “Por que?”
Cristão: “...” (sensação de tempo perdido...)

O ceticismo é uma forma de pensamento (?) que tem adquirido certo status de “padrão do homem racional”. Existem muitas formas de ceticismo, mas uma bem comum nos corredores das universidades e nas conversas informais é esse ceticismo infantil, que duvida por duvidar.

Esse tipo de cético não argumenta em defesa de sua visão, mas apenas responde as nossas afirmativas com perguntas do tipo “tem certeza?”, “como você sabe?”; ou criando cenários absurdos do tipo “e se nós estivermos num sonho? ou na Matrix?” e ainda: “e se Deus for o diabo?

Quando a questão é respondida, esse cético apenas repete a questão infinitamente ou acrescenta outras perguntas do mesmo nível. Essa forma de ceticismo tem nome: bobagem.

O cidadão leu em algum lugar que devemos questionar as afirmações dos outros e achou isso chique. Assim, ele se sente um intelectual sofisticado ao fazer essas perguntas que nunca levam a lugar algum. Ele não quer desenvolver argumentos seriamente, e fica apenas tomando nosso tempo nesse jogo verbal.

Se você detectar esse tipo de “intelectual”, denuncie-o claramente, mude de assunto e poupe o seu tempo e seus argumentos para situações mais sérias.

O ceticismo metodológico utiliza a dúvida como instrumento para direcionar e ajudar as pessoas a compreenderem o conhecimento. O cristão pode e deve usar o ceticismo como método, mas deve cuidar para não tornar o ceticismo um traço de caráter. Cinismo e perda de fé são os resultados imediatos desse tipo de dúvida alimentada. Além disso, o ceticismo como traço de caráter torna impossível o conhecimento, já que se duvida de tudo. Como cristãos, procuramos o equilíbrio: desenvolver a fé e o conhecimento, mas de modo algum cultivamos a ingenuidade e a credulidade.


Resumindo: ceticismo metodológico é uma virtude intelectual. Mas o ceticismo de botequim é uma besteira cínica intelectualóide travestida de erudição. Não perca tempo com isso.