quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

E aí, vamos "limpar" a igreja?

Sim, existem comportamentos na igreja que me incomodam.
Sim, se dependesse de mim algumas pessoas não fariam parte da igreja.
Sim, sei que esses pensamentos podem ser perigosos e pecaminosos.

Ao lado do meu ímpeto justiceiro eu tenho a experiência de Jesus “purificando” o templo com um chicote, alem de vários juízos divinos entre o seu povo. No entanto, existem vários textos bíblicos que nos orientam a não julgar, não condenar e ate mesmo a deixar o trigo e joio crescerem juntos ate o tempo da colheita.

Então, que postura devemos adotar? Julgo ou não julgo, limpo ou não limpo a igreja?
Existe um caminho sobremodo excelente, indicado por Paulo, que é o amor (1 Co 13).
Esse é um ótimo começo. Se em tudo o que eu fizer não houver o selo do amor divino, não vai servir de nada.

Me parece uma obrigação cristã julgar. Devemos julgar pessoas, ensinos e atitudes dentro de nossas claras limitações humanas (nunca julgaremos as intenções, por exemplo, a menos que se tornem conhecidas). A proibição de julgar refere-se a preconceitos e a julgamentos precipitados sobre intenções não conhecidas e fatos dos quais não temos pleno conhecimento. Também se refere ao espírito critico e condenatório. Pode-se ler mais sobre isso nos artigos “Crente Pode Julgar?", "Julgar ou nao Julgar?" e "Devemos Julgar?"

Mas, após julgarmos, o que fazemos? Estamos autorizados a pegar o chicote e sair limpando o templo como Jesus fez? Não. A menos que você esteja disposto a subir o monte de calvário e morrer por cada uma dessas pessoas, você não tem nenhuma autorização para fazer isso.

No entanto, a disciplina eclesiástica existe, é matéria bíblica. Deveríamos aprender biblicamente como lidar com escândalos, pecados publicamente cometidos e comportamentos abertamente contrários ao que ensina a Bíblia.

Em nossa boa intenção de “purificar” a igreja e manter o alto padrão, corremos o risco de agir como os fariseus da época de Jeus: criamos uma comunidade excludente.
Fugindo do extremo das igrejas liberais que tornaram o Evangelho em mero detalhe ornamental de vidas pecaminosas, podemos cair facilmente no outro extremo de tornar o Evangelho no chicote para massacrar pessoas em nossa tentativa de separar manualmente o joio do trigo.

Quando surgir aquela "santa" vontade de limpar a igreja de seus membros infiéis e manter os pecadores do lado de fora, pense na sua historia. Aquele que o convidou "Vinde a mim" prometeu que todo aquele que fosse a Ele seria aceito, e de modo algum Ele o lançaria fora.

A turma do PottersHouse resume isso em 30 segundos:

domingo, 31 de janeiro de 2010

Por que fazemos o que fazemos por Jesus?

por Isaac Malheiros

Após realizar uma campanha evangelística, uma cantata desgastante, uma visita a alguém no leito de morte ou qualquer outra atividade "religiosa" que me canse, um pensamento recorrente me surge: "por que eu continuo fazendo isso?"

Por vezes coloco numa planilha mental os gastos e desgastes, os sonhos menores dos quais tive que abrir mão, a distância da família e dos amigos e todo o "preço" de servir a Jesus em tempo integral. Um momento crucial para mim foi num quarto de hotel na cidade da Beira, em Moçambique, após um dia intenso de visitas e pregação. Tudo havia dado errado naquele dia, dei o melhor de mim e não vi resultados e nem reconhecimento do meu esforço.

Eu abri mão de uma carreira promissora (e certamente muito mais recompensadora financeiramente) como engenheiro, me considerava um sério candidato a intelectual, e tinha dificuldades de não ser ridicularizado pelos ex-colegas de faculdade quando lhes contava que havia decidido ser um ministro do evangelho. Pensando sobre o que eu poderia ter sido, estranhamente não senti arrependimento ou remorso da opção que fiz.

Nem mesmo me senti menos animado a me levantar no dia seguinte e levar mais uma vez a Palavra de Jesus às pessoas. Entenda-me: a pergunta "por que eu faço isso?" não é no sentido negativo de "por que faz isso, seu estúpido?" É num sentido de "eu não entendo, deveria estar me sentido mal, mas me sinto maravilhosamente bem e realizado!"

"Porque o amor de Cristo nos constrange..." (2 Co 5:14)

Por que fazemos o que fazemos por Cristo? Por que continuamos, apesar das circunstâncias? Porque o amor de Jesus por nós nos motiva, nos impele, nos impulsiona a isso. Basta pensar em quem é Jesus, em quem sou eu e no que ele fez por mim, que não tem saída: é constrangedor. É um amor tão grande e um sacrifício tão sublime que "ai de mim se não pregar o evangelho" (1 Co 9:16). Parar não é uma opção, desistir não é sequer cogitado por quem teve um vislumbre de Jesus Cristo.

Sentado na cama do hotel, encontrei no meu notebook algumas músicas, e essa me trouxe a resposta que gostaria de compartilhar com você.

Marcos Witt - Es por tí


Leia também: Jesus não vai ficar me devendo nada

Eu sobrevivi a uma apresentação hardcore/punk

Em 2005 trabalhava no Colégio Adventista de Florianópolis, e eu e meu marido fomos convidados por alunos para assistir a apresentação da banda de "punk-hardcore-de-crente" deles. Eles eram evangélicos e iriam tocar num evento chamado "Caverna de Adulão".

O lugar não tinha esse nome sem motivo...
Navegando no youtube encontrei por acaso um vídeo que descreve com exatidão o que aconteceu. Com exatidão mesmo: o lugar é parecido, eles tocaram exatamente essa música, chutes e cotoveladas involuntárias nos atingiram como no vídeo (a 1:12"). A única diferença é que eu não estava tão empolgada quanto a menina do vídeo. Ah, e o vocalista aí é a cara do Paulinho (o ex-aluno guitarrista). Depois de 4 músicas de fortes emoções, saímos em busca de um lugar mais monótono heheh

Esse post foi só pra matar a saudade da galera de Floripa...
Aproveita e ouve o som do Slickshoes aí (pela net é mais seguro..):

Adventistas: vítimas e heróis no Haiti

Reportagem da "FOX News" sobre a atuação de haitianos adventistas na ajuda humanitária às vítimas do terremoto (aguarde o fim da publicidade no início do vídeo). Eles cantam em meio à tribulação:



Abaixo, um relatório enviado por líderes adventistas haitianos aos líderes da Divisão Interamericana em 20 de janeiro de 2010. O relatório demorou, pois estavam sem comunicação. Continuemos orando e trabalhado por esse sofrido povo e em especial por nossos irmãos em Cristo que ali estão.

RELATÓRIO:
•Adventistas mortos - 522, sendo 450 jovens.
•Adventistas desabrigados - 27 000
•Adventistas que perderam tudo, e estão apenas com a roupa do corpo - 12 000
•Adventistas feridos - mais de 580
•Igrejas completamente destruídas - 55
•Igrejas parcialmente destruídas - 60
•Universidade - seriamente danificada, e ainda recebeu, em seu campus, 20 000 refugiados


O Hospital Adventista é o único em funcionamento em Porto Príncipe, e serve de base para várias equipes médicas internacionais. O Hospital Adventista precisa de recursos para atender á grande demanda. Para ajudar, acesse o site da ADRA e faça a sua doação através de cartões de crédito.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Defesa prática do cristianismo integral

O cristão deve harmonizar os vários aspectos de sua vida intelectual a fim de se tornar uma pessoa integral, não-fragmentada. Estamos escrevendo sobre isso desde o inicio desse blog.

No entanto, algumas objeções tem sido feitas por ateus, cristãos e outros. Alguns sugerem que a pessoa não deve misturar suas convicções religiosas com suas convicções acadêmicas. Outros sugerem que a ciência é o padrão pelo qual se julga a teologia e a filosofia, e que a religião fica livre para “pensar” apenas nas áreas onde a ciência ainda não tem nada a dizer.

Não vamos aqui analisar e refutar cada objeção levantada. Mantemos nossa posição a favor da coerência: não se pode acreditar numa coisa na igreja e em outra na sala de aula, no escritório ou no consultório.

Um leitor sugere a “suspensão do juízo como heurística”, o que parece uma boa idéia pois muitas pressuposições se revelam falsas e ilógicas quando confrontadas. Podemos até abrir mão de nossas pressuposições quando fazemos exercícios mentais numa discussão. O cristão pode raciocinar como um ateu a fim de fazer especulações filosóficas e científicas. A dúvida e o ceticismo metodológico tem espaço dentro da cosmovisão cristã.

No entanto, ninguém leva a vida real absoluta e consistentemente desse jeito. Nem mesmo os que fizeram tais objeções ao que escrevemos aqui. Todos partem de um ponto, um primeiro princípio, a fim de raciocinar e buscar o conhecimento. Ninguém faz "suspensão do juízo" completa e absolutamente, pois cairia num vórtice de irracionalidade.

Diante de questões cientificas teóricas, éticas e decisões que envolvam conceitos filosóficos, os críticos desse blog não praticam coerentemente o que pregam: jamais se permitiriam abrir mão totalmente de suas pressuposições.

Isso pode ser observado quando um psicólogo age como se livre arbítrio existisse de fato. Bem, para ser coerente com a sugestão dos relativistas, ele deveria tentar agir também como se o determinismo (genético, condicionamento) fosse verdade, o que traria uma confusão e comprometeria sua carreira. Na pratica, ele tem uma pressuposição (livre arbítrio e responsabilidade moral existem) e trabalha consistentemente sobre ela.

Os políticos deveriam abrir mão de suas convicções e tentar outras abordagens, até mesmo as mutuamente contraditórias. A crença em princípios como justiça individual e meritocracia poderia ser “suspensa” a fim de se experimentar as idéias de Hugo Chavez e Idi Amim. Mas na pratica, o político tem suas pressuposições e trabalha consistentemente sobre elas.

O pedagogo pode concordar com os relativistas e achar o discurso bonito, mas ele não matricularia seus filhos em qualquer instituição de ensino, sem se preocupar com a filosofia de educação e a abordagem pedagógica daquela escola. Na pratica, o pedagogo tem suas convicções sobre a natureza humana, a natureza da verdade e do conhecimento. Ele tem suas pressuposições e não fica “suspendendo o juízo” a cada inicio de ano letivo.

O professor de biologia pode definir o ser humano apenas como um animal membro da classificação Homo Sapiens, mas não age como se os seus alunos, ou seus próprios filhos, fossem apenas isso. Há pressuposições e convicções mais profundas envolvidas em teorias sociológicas, econômicas, psicológicas, etc.

A própria ciência assume que existe um universo organizado e inteligível, que os sentidos e a mente são confiáveis, que as inferências indutivas são legitimas, que a verdade existe e pode ser conhecida, etc. Essas pressuposições são assumidas, não-provadas, e ninguém “suspende o juízo” a cada vez que entra no laboratório ou na sala de aula.

O próprio relativista tem convicção de que o relativismo é legitimo, e faz suas objeções ao cristianismo baseado nas suas firmes pressuposições relativistas!

Portanto, o discurso relativista cai num poço de irrelevância tanto na vida pratica quanto no mundo estritamente racional. Então por que cristãos ainda insistem em aceitar passivamente as sugestões dos relativistas e até mesmo defende-las?

Todo mundo tem suas convicções e as defende sobre a plataforma de suas pressuposições. Só o cristão alienado é que não percebe que age como irracional ao se juntar ao coro dos céticos e relativistas "convictos" que sugerem a "suspensão do juízo" cristão enquanto mantem o seu próprio juízo intacto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ninguém mais, só Jesus...

Foi um grande espetáculo: luzes, fumaça, brilho, som do céu...
Aquele “evento” causou um impacto tão inesquecível nas pessoas ali presentes que depois de muitos anos ainda se lembravam e comentavam eufóricos (2 Pe 1:18; Jo 1:14 e At 4:20).

Ao final do “espetáculo”, a Bíblia descreve que:

“E erguendo eles os olhos, não viram mais ninguém a não ser Jesus.” Mt 17:8

O texto se refere à transfiguração de Jesus, quando ele resplandeceu e encontrou-se com Elias e Moisés. Sugiro uma aplicação bem simples: ao final de cada evento na igreja, ao erguermos os olhos, não deveríamos ver mais ninguém a não ser Jesus. Nem a beleza estética, nem a técnica da performance, nem o carisma de seres humanos - Jesus, e só ele, deveria ser o centro das atenções. Só Jesus.

Imagine uma descrição assim de um culto em sua igreja:

"Então o coral cantou maravilhosamente bem, o pastor fez um lindo sermão e um poderoso apelo. Ao término do culto, após a oração final, erguendo eles os olhos, não viram mais ninguém a não ser Jesus..."

Você, diretor de coral, líder de louvor, músico, pastor ou whatever... busque isso com todas as suas forças!

Resumido pelo Avalon – In Christ Alone (saudades do Vivace Coral de Floripa…)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Discuta as grandes questões da vida

No meio do debate entre teístas e ateístas, entre criacionistas e evolucionistas, percebo um fenômeno: ou a discussão gira em torno do “científico” (artigos, pesquisas, autores, etc) ou em torno do “filosófico” (as premissas que proporcionam interpretações diferentes para um mesmo dado).

Ateus e evolucionistas seqüestraram a discussão cientifica: eles acham que dominam essa área, definem termos, determinam as regras do debate e julgam quais argumentos são válidos ou não usando suas próprias pressuposições como padrão. O resgate da ciência não passa apenas pela discussão científica, a grande batalha se trava no campo filosófico.

A propaganda anda tão ao gosto de Goebbels que já andam confundindo ciência com ateísmo e ciência com naturalismo filosófico, e fazem ar de “que absurdo!” quando você discorda e mostra que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” (como diriam os grandes filósofos-comentaristas de futebol na tv).

Tenho percebido que quando o cristão conduz sutilmente a discussão para o campo filosófico, o cético se sente desconfortável a medida em que se aproxima das questões metafísicas. Isso se deve ao fato de que o acaso e falta de propósito, o relativismo moral ilimitado e a desconcertante "certeza" de que o universo e a vida não têm nenhum significado nem propósito não dão terreno sólido a ninguém.

Eles não gostam de discutir as grandes questões metafísicas. Exatamente por isso: discuta questões filosóficas.

Mas para isso, você precisa conhecer a sua cosmovisão. Cristianismo não é a sua religião de fim de semana, é a sua visão de mundo. Não existe nenhuma área da sua vida em que o cristianismo não deva se meter. Enquanto continuarmos dividindo nossa vida em compartimentos estanques, o cristianismo sera apenas um detalhe místico e estranho da sua vida.

Nos meios academicos ouvimos frases como "O professor X é crente, mas é muito inteligente", ou "eu sou cristão, mas no laboratório eu faço ciência como um ateu". Por que insistimos em aceitar (e por vezes colocar) esses "mas" nessas frases?

Deixe de ser apenas um religioso em pedaços, e torne-se um cristão inteiro, de verdade. Viva o cristianismo em imersão total. Desse modo, você terá mais condições e mais autoridade para levar os descrentes a refletirem sobre as grandes questões da vida: as questões metafisicas.

Resumida aqui na incrível composição de Mario Jorge Lima e Lineu Soares: "Escolhi acreditar"