quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A redenção de uma música

Sei que já foi bem explorado o escândalo envolvendo Mike Guglielmucci (PlanetShakers e Hillsong). Mas hoje, revendo a sua canção "Healer", mesmo sabendo que o câncer não passou de encenação, senti uma profunda compaixão por ele: ele não tinha câncer, mas estava realmente doente. Com uma doença arrasadora.

O seu real problema, o vício que destruía sua saúde, seu ministério e sua família era pior que o câncer. Não posso deixar de pensar que ele sinceramente acreditava em cada frase que estava cantando, e que essa canção foi um clamor desesperado e solitário por socorro.

Depois que a minha raiva e decepção passaram, hoje consigo novamente ouvir essa canção, como o grito de um Davi moderno, que inventou uma mentira para justificar seus erros e foi tão longe que se tornou quase impossível voltar. O motivo de minha compaixão é: muitas vezes já fiz essa encenação, sem usar balão de oxigênio, mas usando o púlpito, a Bíblia, sorrisos e frases bonitas, enquanto a bola-de-neve da mentira crescia ladeira abaixo.
Somos todos atores, com diferentes motivações, representando diferentes papéis. Mas uma hora a peça termina, a luz se apaga, e o auditório se esvazia. Aí você tem que encarar a si mesmo no espelho enquanto remove a a maquiagem.

Eu creio em cada frase dessa canção, pois ela foi redimida no momento em que eu parei de pensar em Mike e comecei a pensar em mim mesma...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ande a segunda milha: reduza ao absurdo

por Isaac Malheiros
“Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas” (Mt 5.41).

As idéias têm conseqüências. Numa discussão é sempre bom mostrar as conseqüências das idéias erradas do seu “adversário”. Em argumentação e lógica, existe um modo muito eficaz (e divertido) de fazer isso e refutar as idéias de um oponente: a redução ao absurdo.

Basicamente, “redução ao absurdo” significa mostrar ao oponente que se ele estiver certo em alguma premissa, o resultado do desenvolvimento da sua idéia é algo absurdo, contraditório, impossível, ilógico. Podemos, assim, concluir que a premissa não é verdadeira.

Funciona assim:
1) “Ok, Sr. Relativista: não existe verdade absoluta.
2) “Suponhamos que todas as verdades sejam de fato relativas à cultura e às experiências do indivíduo ou do grupo, etc”.
3) "Isso inclui a afirmação ‘não existe verdade absoluta’ e a própria declaração 2)"
Conclusão: "a sua própria teoria sobre a verdade é apenas reflexo cultural ou fruto de sua experiência, e ninguém precisa concordar com você, pois trata-se apenas de opinião, verdade subjetiva culturalmente restrita."

Você começa usando premissas com as quais o seu oponente concorda. Então você acrescenta a premissa chave: aquela que o oponente acredita ser verdadeira, mas você acha que é falsa. Então você demonstra que o resultado de usar aquela premissa é uma contradição.

Parafraseando Jesus: "Se alguém quer te convencer do relativismo moral, ande com ele até a pedofilia, o genocídio, a bestialidade, o caos generalizado que será a consequência de suas idéias."

Ou ainda: "se alguém caminha com você até o ateísmo, não pare por aí: vá com ele até às desastrosas consequências lógicas, metafísicas, morais, epistemológicas, etc de suas idéias ateístas."
Isso é muito útil especialmente quando algum gênio quer provar que não existem leis da lógica, usando as leis da lógica. Ou quando querem mostrar que é verdade que não existem verdades. Ou quando querem dizer em português: "eu não sei falar nenhuma palavra em português" ou qualquer outra contradição absurda e engraçada (mas incrivelmente levada a sério nos meios acadêmicos...).

Diante de uma redução ao absurdo, o seu oponente pode apenas desistir de usar aquelas premissas, mas não precisa mudar de crença. Desse modo, se você reduz a argumentação de um ateu ao absurdo, ele poderá continuar ateu, mas nunca mais irá usar aquele argumento de novo com você por perto.

Redução ao absurdo é andar a segunda milha intelectual. É levar o seu amigo cético a ir além do superficial “Deus não existe”, e ver as consequências lógicas disso.
Ande a segunda milha. É útil, e divertido.

Nos comentários desse post há um exemplo de “redução ao absurdo” feito por esse autor, um pouco desorganizado, mas divertido.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cristãos na periferia da existência intelectual

O movimento neo-ateísta adotou a piada como arma. Em qualquer discussão séria ou informal é comum ouvir comentários que igualam "crente" a "pouco inteligente". Mas a culpa é parcialmente nossa. Não por que sejamos burros, mas porque ouvimos calados na hora e continuamos calados depois. Desse modo, o silêncio apenas confirma a suspeita generalizada dos ateus.


O apartheid intelectual

Charles Malik, um acadêmico e estadista cristão, pronunciou as seguintes palavras durante a inauguração do Billy Graham Center, no campus do Wheaton College em 1980:

“Devo ser franco com vocês: o antiintelectualismo é o maior perigo que o cristianismo evangélico americano enfrenta. A mente, compreendida em suas maiores e mais profundas faculdades, não tem recebido suficiente atenção. No entanto, a formação intelectual não ocorre sem uma completa imersão, durante anos na história do pensamento e do espírito.
Os que estão com pressa de sair da universidade e começar a ganhar dinheiro, trabalhar na igreja ou pregar o evangelho não têm idéia do valor infinito de gastar anos dedicados à conversação com as maiores mentes e almas do passado, desenvolvendo, afiando e aumentando o seu poder de pensamento.

O resultado é que o terreno do pensamento criativo é abandonado e entregue ao inimigo.

Quem, entre os evangélicos, pode enfrentar os grandes pensadores seculares em seus próprios termos acadêmicos? Quem, entre os estudiosos evangélicos, é citado pelas maiores autoridades seculares como fonte normativa de história, filosofia, psicologia, sociologia ou política?

O modo evangélico de pensar tem uma mínima oportunidade de se tornar dominante nas grandes universidades da Europa e da América que modelam toda a nossa civilização com seu espírito e suas idéias?

Por uma maior eficácia no testemunho de Jesus Cristo, bem como em favor de sua causa, os evangélicos não podem se dar ao luxo de continuar vivendo na periferia da existência intelectual responsável.”
[1]

Cristão não é sinônimo de alienado, conformado, preguiçoso, cabeça-oca. Fé não é um salto irracional no escuro. Fé e razão não são mutuamente hostis.

Cristianismo é a cosmovisão mais perfeita e suficiente que existe. Por isso, você não deve crer numa coisa na igreja e em outra na sala de aula ou no laboratório. Quando você veste o guarda-pó, o terno ou o seu uniforme de trabalho, isso não sufoca o seu cristianismo. Cristo é o seu universo, ele não cabe em compartimentos restritos de sua vida.

O cristianismo não é apenas uma ilusão inofensiva, Jesus não é comparável a fadas e duendes, e a universidade deve sua origem e existência ao cristianismo (suas pressuposições, esforço pessoal e dinheiro, inclusive).

Alguém na sua universidade precisa saber disso? Então abra a sua boca e diga com firmeza!

Mas seria bom estudar um pouquinho antes...
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[1] Extraído de MORELAND, J.P. Filosofia e cosmovisão cristã. São Paulo: Vida Nova, 2005, p. 15.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Não aguento mais pseudo-céticos

Cristão: “Tudo o que começa a existir tem uma causa.”
Cético-de botequim: “Por que?”
Cristão: “Bem, podemos constatar isso todos os dias em nossa realidade.”
Cético-de-botequim: “Por que?”
Cristão: “...” (sensação de tempo perdido...)

O ceticismo é uma forma de pensamento (?) que tem adquirido certo status de “padrão do homem racional”. Existem muitas formas de ceticismo, mas uma bem comum nos corredores das universidades e nas conversas informais é esse ceticismo infantil, que duvida por duvidar.

Esse tipo de cético não argumenta em defesa de sua visão, mas apenas responde as nossas afirmativas com perguntas do tipo “tem certeza?”, “como você sabe?”; ou criando cenários absurdos do tipo “e se nós estivermos num sonho? ou na Matrix?” e ainda: “e se Deus for o diabo?”

Quando a questão é respondida, esse cético apenas repete a questão infinitamente ou acrescenta outras perguntas do mesmo nível. Essa forma de ceticismo tem nome: bobagem.

O cidadão leu em algum lugar que devemos questionar as afirmações dos outros e achou isso chique. Assim, ele se sente um intelectual sofisticado ao fazer essas perguntas que nunca levam a lugar algum. Ele não quer desenvolver argumentos seriamente, e fica apenas tomando nosso tempo nesse jogo verbal.

Se você detectar esse tipo de “intelectual”, denuncie-o claramente, mude de assunto e poupe o seu tempo e seus argumentos para situações mais sérias.

O ceticismo metodológico utiliza a dúvida como instrumento para direcionar e ajudar as pessoas a compreenderem o conhecimento. O cristão pode e deve usar o ceticismo como método, mas deve cuidar para não tornar o ceticismo um traço de caráter. Cinismo e perda de fé são os resultados imediatos desse tipo de dúvida alimentada. Além disso, o ceticismo como traço de caráter torna impossível o conhecimento, já que se duvida de tudo. Como cristãos, procuramos o equilíbrio: desenvolver a fé e o conhecimento, mas de modo algum cultivamos a ingenuidade e a credulidade.


Resumindo: ceticismo metodológico é uma virtude intelectual. Mas o ceticismo de botequim é uma besteira cínica intelectualóide travestida de erudição. Não perca tempo com isso.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Antes que seja tarde demais

"Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue?"
Rm 10:14
Tudo o que eu diria está resumido pelo Casting Crowns em Here I Go Again

Malaquias não fala só de dízimo (leia se tiver coragem...)

O marido tá inspirado... Dá-lhe exortação...
Por Isaac Malheiros Meira
Convido você a ler e meditar no “desabafo” divino em Malaquias 1.
Deus está incomodado com o culto que estão oferecendo a ele:

“O SENHOR Todo-Poderoso diz aos sacerdotes: - O filho respeita o pai, e o escravo respeita o seu senhor. Se eu sou o pai de vocês, por que é que vocês não me respeitam? Se eu sou o seu senhor, por que não me temem? Vocês me desprezam, mas mesmo assim perguntam: "Como foi que te desprezamos?" (Ml 1:6)

1) Ele está ofendido por causa dos sacerdotes. Antes que você tenha tempo para respirar aliviado, eu já trago as más notícias: se você é cristão, você pode ser o alvo dessa reclamação.

Você é um sacerdote (1 Pe 2:5,9; Ap 1:6 e 5:10). Todos os cristãos são sacerdotes, e Lutero deixou essa mensagem em evidência. Então, recolha o seu “dedinho acusador”, sente-se e ouça com atenção, pois Deus está falando com você e não apenas com os pastores.

Os motivos são: falta de respeito, falta de temor e desprezo. No entanto, tudo gira em torno do culto a Deus. Aqui o Senhor leva em conta as formas e intenções, a aparência e a essência.

“E me ofendem também porque pensam que não faz mal me oferecerem animais cegos, aleijados ou doentes. Pois procurem oferecer um animal desses ao governador! Acham que ele o aceitaria com prazer e atenderia os seus pedidos? Eu, o SENHOR Todo-Poderoso, falei.” (Ml 1:8)

2) Ele se ofende quando lhe oferecemos coisas toscas que não representam o melhor que possuímos. Para ilustrar: o meu melhor tempo, meus melhores recursos, meu melhor esforço, minha melhor roupa, meu melhor sorriso eu gasto com todo mundo. O que sobra eu dou pra Deus, sob a desculpa de que ele me conhece eu devo ser sincero com Ele.
Ok. Seja sincero com Ele. Mas no momento, Ele está sendo sincero com você: “não me ofenda com porcarias.”

Muito poderia ser dito sobre a causa desse nosso comportamento. Mas eu deixo aqui uma pergunta de minha própria experiência: por que uma igreja tem um antigo som “3 em 1”, com microfones velhos que não funcionam, carpetes rasgados e malcheirosos?
A resposta pode variar, mas o fato é que nas casas dos membros você encontra som de última geração, “Home Theather 7.1” e salas climatizadas. Se uma igreja caindo aos pedaços refletir a realidade sócio-econômica de seus membros, tudo bem. Mas quando há uma diferença entre casas luxuosas e igrejas aos cacos, com certeza a reclamação de Deus se aplica.

Outro exemplo de minha própria experiência: músicos que se matam de tanto ensaiar para aquela apresentação que vai ‘bombar’ no teatro, mas ficam com frescura quando a apresentação é na igrejinha da periferia.

Outro: pregadores que literalmente reservam bons sermões para grandes auditórios. Alguns retém ilustrações, experiências e boas aplicações para oportunidades de maior ibope.

“O SENHOR Todo-Poderoso diz aos sacerdotes: - Gostaria que um de vocês fechasse as portas do Templo. Assim vocês não acenderiam mais fogo inutilmente no meu altar. Eu não estou satisfeito com vocês; não vou aceitar as suas ofertas.” (Ml 1:10)

3) Ao contrário do que muitos imaginam, Deus prefere culto nenhum do que culto feito de qualquer maneira. Seria melhor fecharem a porta do Templo do que continuarem ofendendo a Deus com aquela palhaçada religiosa inútil. Esse verso é tão claro e pesado, que se eu tentar explicá-lo vou acabar amenizando. Então sinta o peso aí você!

“Mas vocês me ofendem quando pensam que têm o direito de profanar o meu altar e que os sacrifícios que oferecem não valem nada.” (Ml 1:12)

4) Aqui cabe uma adaptação à nossa realidade cristã: altar e sacrifícios para nós representam nosso serviço de adoração (Hb 13:15). Responda para você mesmo: quantas vezes já teve a impressão que cultuar é uma bobagem? Quantas vezes o pensamento “às vezes é melhor adorar a Deus no meu quarto do que ir à igreja” adormeceu a sua consciência pesada? Quantas vezes você fez coisas de última hora no culto, sem preparo (o problema é a falta de preparo, e não tanto o ser de última hora)?
Ofendemos a Deus quando pensamos assim.

E agora a minha parte preferida (e a mais dolorida):

Vocês dizem: "Já estamos cansados de tudo isso!" e riem de mim e me tratam com desprezo. E ainda me oferecem um animal roubado ou um animal aleijado ou doente.
Vocês acham que eu, o SENHOR, vou aceitar isso?
(Ml 1:13)

5) Precisa explicar? Pelo menos um detalhe: nenhum cristão em sã consciência zomba assim de Deus. Isso acontece por que representamos enfadonhamente um papel numa encenação semanal chamada de “culto”. O problema é: Deus conhece os atores por trás dos personagens, e já viu essa peça infinitas vezes. Se tem alguém cansado de alguma coisa aqui, com toda certeza, é Ele.
Lembre-se disso quando reclamar mentalmente de cansaço e fizer piadas a respeito do seu serviço a Deus.

"Maldito seja o mentiroso que me promete um animal perfeito do seu rebanho, mas oferece em sacrifício um animal defeituoso! Eu sou o Rei poderoso, e todas as nações me honram. Eu, o SENHOR Todo-Poderoso, estou falando." (Ml 1:14)

6) Maldito seja o mentiroso. O que pode fazer melhor e não faz é um maldito mentiroso. Deixe-me fazer apenas uma observação: para alguns talentosos, o mal-feito ainda fica bom e recebe elogios. Assim, o maldito mentiroso continua alimentado a sua preguiça achando que Deus também faz parte da multidão que o aplaude.
Um recado para esse super-talentoso: você é um maldito mentiroso. Faça melhor e pare de enganar a si mesmo.

Se eu tenho condições de oferecer a Deus uma adoração melhor, maldito sou se oferecer a ele qualquer coisa que não seja o melhor.

Concluindo: essa é uma das mensagens mais fortes da Bíblia. Poucos pregadores falam sobre isso (preferem usar Malaquias pra falar do dízimo). Eu suspeito que a falta de Malaquias 1 nos púlpitos tem uma explicação: atinge a todos inclusive (e especialmente) ao pregador. Não foi gostoso escrever essa mensagem, muito menos pregar esse sermão. Mas eu quero ir para o céu, e os mentirosos não entrarão lá.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Não oferecerei sacrifícios grátis

por Isaac Malheiros
Eu era fanático por meu time de futebol. Tive a “honra” de guardar como suvenir o canhoto do ingresso da partida com menor público da história do meu time – eu era um dos poucos fanáticos que estavam no Mineirão naquela tarde de domingo.

Sem dinheiro para o transporte, cheguei a andar cerca de 12 quilômetros para assistir partidas. Voltava a pé os 12 quilômetros, rouco de tanto cantar e gritar, cansado mas com um sentimento de que meu time merecia o meu esforço. Graças a Deus, fui curado dessa “doença”.

Vou poupar o seu tempo, caro leitor: você acha que eu demonstro a mesma disposição para servir a Deus?

Deixe-me responder: não tanto. Frequentemente eu tento servir a Deus buscando atalhos e a lei do menor esforço. Como músico, prefiro músicas mais fáceis, as que não exijam tantos ensaios ou as que eu já saiba. Prefiro tentar fazer uma “Jam session” de improviso na igreja do que perder horas ensaiando com a banda e o vocal. Como pregador do evangelho, algumas vezes prefiro repetir sermões já decorados a dedicar horas à pesquisa e ao estudo a fim de fazer novos sermões. Prefiro uma classe bíblica para 20 ou 30 pessoas do que estudos bíblicos individuais, que exigem dedicação pessoal, relacionamento, amizade e... mais tempo.

Davi tem uma lição para mim.

Na fase final do reinado de Davi, uma praga atingiu Israel. O rei foi orientado a oferecer um sacrifício a Deus ao final da praga. O local escolhido foi o sítio de um homem chamado Araúna.

Quando o proprietário viu Davi se aproximando, correu e ofereceu tudo ao rei. Deixou os animais, toda a lenha e tudo o que tinha no sítio à disposição de Davi – o rei não teria nenhum custo.

“Mas o rei respondeu: - Obrigado, não aceito. Eu vou pagar tudo isso. Eu não vou oferecer ao SENHOR, meu Deus, sacrifícios que não me custaram nada. Então Davi comprou o terreiro de malhar cereais e os bois por cinqüenta barras de prata.” (2 Sm 24:24)

A palavra hebraica é “chinnam”, que significa literalmente “grátis”, sem custo.
Reescrevendo: não oferecerei ao Senhor sacrifícios grátis.

Quantos de nós buscamos os atalhos para servir a Deus!
O louvor grátis, a adoração sem custo, ajustada em horários e formas flexíveis para não nos incomodar muito é repudiada por Davi, o homem segundo o coração de Deus.

“Por ele, pois, ofereçamos sempre a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.” (Hb 13:15)

O nosso sacrifício de louvor é um fruto, requer cuidado, limpeza, poda e, principalmente, contato coma Videira verdadeira (Jesus). Quantos de nós ensaiamos pouco, planejamos quase nada, investimos no Reino de Deus o que nos sobra.

Não há aqui nenhum incentivo ao legalismo ou à confiança nas boas obras. O ponto é: oferecemos a Deus o que tem valor ou as sobras, o que não nos custa nada? A sua adoração envolve o negar-se a si mesmo, o abrir mão de sonhos particulares, planos individuais e gostos pessoais?

Que o Senhor mude minha forma de avaliar as coisas. Que eu dê valor ao que Ele dá valor e despreze o que Ele despreza. À luz do Calvário, nada que eu fizer para Deus tem valor comparável. Mas o máximo que eu oferecer para o Senhor é o mínimo que eu posso fazer diante de tão grande amor.

Eu não vou oferecer ao Senhor, meu Deus, sacrifícios que não me custaram nada.