quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

As fontes duvidosas de Bacchiocchi

O que torna uma pesquisa digna de ser citada? Certamente, a credibilidade de suas fontes deve ser um dos critérios. Uma pesquisa rápida sobre as fontes de "O cristão e a música rock" revela que como editor de livros, Bacchiocchi era um ótimo teólogo. Pode parecer perseguição de minha parte. Mas não aguento mais ler e ouvir as mesmas lorotas ditas com ar de respeitabilidade. Conheçam algumas das fontes de Bacchiocchi:

John Diamond
John Diamond é um semi-místico que inventou a “Cinesiologia Comportamental”. Ele defende o uso da acupuntura, terapia com cores, com árvores e com música. Ele acredita que o ser humano tem uma Energia Vital, que pode ser estimulada por tais terapias e que levaria à cura. Você pode ver as terapias místicas de John Diamond em seu site:
http://www.drjohndiamond.com/the-diamond-path-of-life
http://www.drjohndiamond.com/the-works-of-john-diamond-md

Bacchiocchi cita a “Cinesiologia Comportamental” entre os “vários estudos científicos (que) estabeleceram os efeitos negativos da música rock sobre a mente”. (p.140)

O dr. Helio Luiz Grellmann, adventista, em “Cristianismo e terapias alternativas – fisiologia e misticismo” também cita a "Cinesiologia Comportamental" de John Diamond como uma dessas terapias alternativas que os adventistas devem evitar por causa do seu caráter místico (p. 164).
Esse material do dr. Grellmann está disponível em: http://images.melker.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/RsBktQoKCnQAAAvXuC81/Cristianismo%20e%20Terapias%20Alternativas.pdf?key=melker:journal:25&nmid=53585980
e
http://www.4shared.com/office/xIQWoK-7/Cristianismo_e_Terapias_Altern.html

A terapia de Diamond e suas ligações com o misticismo oriental também são expostas em “John Ankerberg, Dr. John Weldon, The Encyclopedia of New Age Beliefs ( Harvest House, 1997), p. 399-407.

Bacchiocchi cita euforicamente o livro de Diamond “Your Body Doesn’t Lie”. O título original desse livro era BK: Behavioral Kinesiology. Chega a ser constrangedor imaginar o dr. Bacchiocchi e seus seguidores levando a sério e recomendando uma pseudociência baseada em ocultismo.

Interessantemente, Rebecca Brown, uma ex-satanista que faz sucesso entre os crentes, denuncia a "Cinesiologia Comportamental" como uma prática ocultista, uma das artimanhas satânicas para esse tempo (Vaso para Honra, p. 150). Brown não é uma fonte confiável para mentes sãs. Mas quem acredita em Bob Larson não tem motivos para duvidar de Rebecca Brown...

E o mais curioso vem agora: apesar de combater o rock, Diamond inventou uma terapia com tambores! Isso está em seu livro também “científico” “The Way of the pulse – drumming with Spirit”. O mesmo autor que combateu o rock defende os tambores. Por essa Bacchiocchi não esperava...

Além de Diamond, Bacchiocchi cita outro adepto do ramo místico da cinesiologia aplicada: as pesquisas de Sheldon Deal, “um quiroprático e escritor e que não é, de forma alguma, um velho retrógrado que tenta desmoralizar todo o Rock and Roll em si” (p. 136). As ligações de Sheldon com práticas e filosofias orientais também podem ser facilmente verificadas.

Cinesiologia Aplicada é considerada pseudo-ciência por alguns críticos por causa de suas associações com filosofias e práticas místicas. Você pode ler uma crítica científica á cinesiologia aplicada clicando aqui.

Após ler “O cristão e a música rock”, um leitor desavisado poderia se envolver tranquilamente com essas terapias místicas por causa da seriedade com que Bacchiocchi as recomenda. Para combater a música contemporânea vale tudo: citar um mentiroso caçador de demônios, fundamentalistas histéricos, pseudo-cientistas e místicos. O livro de Bacchiocchi é um amontoado de opiniões concordantes, sem nenhum filtro crítico.

Daniel Skubik
Bacchiocchi cita uma pesquisa com essas palavras: “Os neurocientistas Daniel e Bernadette Skubik fornecem uma explicação resumida de como a batida do rock afeta os músculos, a mente e os níveis hormonais.” (p. 135)

“Em um estudo importante sobre a Neurofisiologia do Rock, os pesquisadores Daniel e Bernadette Skubik enfatizam com impressionante clareza (para cientistas!) o impacto musical da batida do rock.” (p. 133)

Acontece que Daniel Skubik não é neurocientista. Ele tem formação na área de ciências políticas, filosofia e leis. Portanto escreveu sobre algo que está fora de sua área. E esse “estudo importante” nem aparece no seu curriculum, disponível no link: http://www.calbaptist.edu/dskubik/IBpaper.pdf , que também pode ser visto online no site da universidade batista onde ele leciona.

Que profissional não publicaria um "estudo importante" em seu currículum? Infelizmente, essa informação se alastrou pela internet, e até mesmo o erudito Wolfgang Stefani embarcou nessa. Teremos que engolir esse "estudo importante" feito por "neurocientistas" por muito tempo...

David Noebel
Bacchiocchi apresenta Noebel como “um pesquisador médico” (p. 248). As informações biográficas sobre Noebel o apresentam como tendo um Bacharelado em Artes (Hope College em Holland, Michigan) e um Mestrado em Artes (University of Tulsa), na área de Humanas e não em Ciências Médicas. Além disso, ele é descrito como candidato a Ph.D. em filosofia na University of Wisconsin.

Noebel foi um dos primeiros a denunciar o rock como uma arma comunista, argumento que se tronou popular na década de 70, encontrando espaço até mesmo na Revista Adventista (outubro de 79).

Ele acusava os soviéticos de usarem "uma elaborada técnica científica destinada a tornar uma geração de jovens americanos neuróticos através da obstrução nervosa, deterioração e retardamento mental". Olhando o comportamento da atual geração, talvez eu concorde com Noebel na parte do “retardamento”, mas a sua teoria da conspiração é exagerada. Para uma crítica à cruzada anti-rock de Noebel: http://www.wfmu.org/LCD/18/antirock.html.

Outras citações curiosas de Bacchiocchi
Jacob Aranza – Um dos principais divulgadores da paranóia das mensagens subliminares ao contrário (backward masking). Autor de "Backward Masking Unmasked" (1982) and "More Backward Masking Unmasked" (1985).

Ele denuncia o rock como parte de um plano Satânico. Sua fonte: um amigo seu, evangelista anônimo, que se sentou ao lado de um gerente de uma grande gravadora de rock igualmente sem nome em um avião. No decorrer de uma conversa casual, o gerente lhe contou todo esse plano satânico.

O curioso é que Aranza aprova o rock cristão. Para ele, o rock cristão poderia ser útil para salvar a juventude da religião satânica do rock’n roll.

Jeff Godwin – Um fundamentalista, ultra-conservador. Ele faz acusações infundadas e chega a conclusões contundentes a partir de frágeis evidências. Vê o demônio em tudo e em todos. Nem mesmo seus companheiros de luta anti-rock, como Bob Larson, escaparam da acusação de serem satanistas disfarçados. Ele é o lunático do movimento anti-rock.

Deus teria revelado para ele que algumas bandas populares são compostas por demônios encarnados. Ele é ardente defensor da teoria do “ritmo vudu” que supostamente deu origem ao rock. Segundo ele, o ritmo do rock tem o mesmo tempo da batida do coração humano (como se “rock” fosse um único ritmo, com um único andamento...). Para ele, isso hipnotisa e faz lavagem cerebral nos ouvintes para aceitarem a mensagem de Satã.

Naturalmente, Godwin também acredita em mensagens subliminares ao contrário (backward masking). Ele explica detalhadamente como as estrelas do rock invocam os demônios em sessões de gravação para garantir sucesso na venda de discos.

Conclusão
Eu não fiz uma pesquisa exaustiva. Muitas outras celebridades do submundo místico-pseudo-intelectual da música sacra podem estar no livro de Bacchiocchi. Minhas fontes aqui também podem ser questionadas, mas eu não sou uma profissional tentando influenciar a comunidade adventista. Não estou escrevendo um livro-pesquisa e nem tenho a influência que tinha o dr. Bacchiocchi.

A minha dúvida é: como eu, que não sou profissional da música sacra, nem da editoração de livros, nem da teologia, fui capaz de perceber tanta besteira num único livro e muitos profissionais não foram? Como pode “O cristão e a música rock” ter ocupado páginas de nossas publicações e até nossos púlpitos em forma de palestras e sermões?

Por que acreditamos em Bob Larson?

Bob Larson é uma autoridade em música sacra. Pelo menos alguns adventistas acham que é. Seu nome aparece em centenas de artigos sobre música sacra. Na Revista Adventista, ele foi presença constante na década de 70. Veja como a famosa e respeitada obra de Samuele Bacchiocchi "O cristão e a música rock" descreve Bob Larson:

“O ex-astro de rock Bob Larson explica” (p. 101 e 119)
“Bob Larson, cuja carreira como um músico popular de rock lhe deu uma experiência de primeira mão do cenário do rock” (p. 131)
“Bob Larson, que antes da sua conversão era um músico de rock de sucesso em shows de televisão e que tocou para platéias repletas no Convention Hall, na cidade de Atlanta” (p. 133)

Em seu livro “Hell on Earth” , publicado em 1974 ele afirma que alcançou o sucesso já aos treze anos:

Aí diz que Bob Larson alcançou a fama com a idade de "treze anos quando sua primeira canção de sucesso foi publicada. Tinha a sua própria banda de rock’n roll aos quinze anos, e se apresentou no rádio e na televisão nos próximos anos até que sua carreira o levou ao Convention Hall em Atlantic City.” (Bob Larson, Hell on Earth (Carol Stream, IL: Creation House, 1974), biografia do autor no prefácio.)

O fato é: Bob Larson NUNCA foi um astro do rock.

Sharla Turman Logan, a tecladista de “The Rebels” (a ex-banda de Bob Larson) afirmou em entrevista que conheceu Bob aos treze, mas "nunca ouviu nenhuma música de sucesso”. Era uma desconhecida banda de adolescentes, não uma banda de heavy metal. (Jon Trott, "Bob Larson's Ministry Comes Under Scrutiny," Cornerstone, Vol. 21, Fevereiro de 1993, p. 18)

E sobre o fato deles terem tocado no Convention Hall em Atlantic City, a história não é como Larson conta. Eles tocaram apenas uma paródia de “Charlie Brown” numa convenção do Lions' Club. O pai do baterista era um administrador da organização e ele marcou a apresentação (Jay Grelen and Doug LeBlanc, "This is Me, This is Real," World, Vol. 7, No. 32, 23 Jan. 1993, p. 11.)

Sharla conta que eles tocavam apenas em eventos pequenos, em feiras e igrejas, acompanhados pelos pais, e que as alegadas experiências demoníacas durante os shows nunca aconteceram e nem era possível que acontecesse, dada a natureza dos shows e o estilo da banda.

No entanto, apesar de ser um completo desconhecido no cenário musical, Bob Larson refere-se a si mesmo como um grande compositor, elogiado por grandes executivos da música:

Além disso, sem modéstia alguma, ele se descreve como um dos melhores "guitarristas de gravação" (enviem-me essas gravações se você puder encontrá-las):

Ex-astro”, “músico de rock de sucesso”, “carreira”. Como Bacchiocchi caiu nessa? Eu procurei em todos os arquivos disponíveis, nas listas da Bilboard, e nunca encontrei nenhum “sucesso” de Bob Larson como compositor, ou de sua banda “The Rebels” (não confundir com uma banda de mesmo nome que, de fato, fez algum sucesso). Se alguém encontrar algo, por favor me envie.

Você pode ler mais sobre as mentiras e exageros de Larson em toda a internet, mas comece por aqui: Matéria da World Magazine e da Cornestone.

Bacchiocchi também diz que Bob Larson “estudou medicina antes de se tornar um músico popular de rock”(p. 140). Vamos aos fatos:

O próprio Larson diz que aos treze ele já era um sucesso. Como pode ter estudado medicina antes dos treze? As contas não fecham.

Em 5 de Janeiro de 1993 Larson disse publicamente que quando ele entrou no ministério, ele estava “a apenas alguns créditos” de receber a licenciatura em química,e em seguida ir para a escola de medicina (Bob Larson, "Talk-Back With Bob Larson", arquivo de programa de rádio, 5 de janeiro de 1993).

No entanto, Bob nasceu em 1944, se formou no ensino médio em 1962, frequentou o McCook Junior College durante um ano, transferiu-se para a Universidade de Nebraska, e a abandonou em setembro de 1964. (Jay Grelen and Doug LeBlanc, "This is Me, This is Real," World, Vol. 7, No. 32, 23 de Janeiro de 1993, p. 11)

Ou seja, ele teve apenas dois anos para estudar o que disse que estudou.


Bob Larson é, provavelmente, a fonte mais esquisita (e mentirosa) de Bacchiocchi. É incrível como a comunidade adventista dá crédito a um charlatão insano como Larson. É improvável que o dr. Bacchiocchi desconhecesse as controvérsias e escândalos em torno de Bob Larson. Mesmo assim, ele preferiu levar em conta os argumentos e as "pesquisas" de um maluco caçador de demônios.

A ironia é que Bob Larson mudou de opinião sobre o uso do rock na adoração e no evangelismo, mas Bacchiocchi e aqueles que o citam nunca mencionam tal mudança. Recentemente, Larson abriu uma escola de exorcismo, que tem atraído até adolescentes.
Ele também disponibiliza um teste online para saber se você está com o demônio no corpo. Chama-se DemonTest, e pode ser acessado aqui: http://www.demontest.com/ .

Qual é a credibilidade de uma pesquisa que cita Bob Larson como fonte séria? Até quando vamos ter o desprazer de ver o nome de Larson notas de rodapé de pesquisas e artigos que pretendem orientar o povo de Deus?

Para fechar com chave de ouro, aí está o acadêmico Bob Larson em ação:



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Salmo 150 e a linguagem figurada



Para fugir das claríssimas afirmações do Salmo 150 quanto ao uso de instrumentos musicais na adoração, tornou-se popular o argumento de que esse salmo é altamente figurativo, e não deve ser levado em conta literalmente.

Como explica Bacchiocchi:
“Por exemplo, não há nenhuma maneira no qual o povo de Deus, na terra, possa louvar o Senhor “no firmamento, obra do seu poder”. O propósito do salmo não é especificar o local e os instrumentos a serem usados para o louvor durante o culto divino, mas sim convidar a tudo o que respira ou emite som a louvar o Senhor em qualquer lugar. O salmista está descrevendo com linguagem altamente figurativa a atitude de louvor que deveria caracterizar o crente a toda hora e em todos os lugares. Interpretar este salmo como uma licença para dançar, ou tocar tambores na igreja, é interpretar de forma errada sua intenção.” (O cristão e a música rock, p. 33)

Os salmos não contém apenas figuras de linguagem.
Apesar de serem altamente figurativos, os salmos apresentam muitas expressões literais, descrições de acontecimentos históricos, referências literais a lugares, pessoas e objetos. Ao contrário do que sugere o argumento de Bacchiocchi, não há nos Salmos um “8 ou 80” com relação às figuras de linguagem. A poesia é uma mistura de expressões figurativas e literais e não um acumulado de sentenças exclusivamente figurativas.

Figura de linguagem é simplesmente uma palavra ou frase usada fora de seu emprego ou sentido original. A figura de linguagem normalmente aparece numa sentença que não faz sentido quando tomada literalmente. Mesmo um leitor com pouco ou nenhum treinamento em literatura poderia dizer quais são os elementos figurativos e os elementos literais numa poesia.

A frase “Essa menina é uma boneca!” é figurativa. Mas a menina é literal, ela existe. O Salmo 1 usa linguagem figurada quando diz que os ímpios “são como a moinha que o vento espalha”(v.4), mas é literal quando adverte que “os ímpios não subsistirão no juízo” (v.5).

Isso demonstra como figuras de linguagem não são o mundo do “faz-de-conta” que Bacchiocchi descreve. Nos Salmos nem tudo é figurativo, existem elementos literais entre as várias figuras de linguagem e tipos de paralelismo.

Por isso, dizer que “a linguagem figurativa desse salmo não permite uma interpretação literal” é um erro grotesco. E esse erro assume proporções gigantescas quando vem de um teólogo tão experiente como era o dr. Samuele Bacchiocchi.

“Adufe” estaria simbolizando o que?
Há um princípio básico de hermenêutica segundo o qual as palavras devem ser entendidas em seu sentido literal, a não ser que tal interpretação leve a uma contradição ou a um absurdo.(Louis Berkhof, Princípios de interpretação bíblica, p. 87-96)

O significado original do texto é distorcido “quando se interpreta figurativamente uma declaração literal e quando se interpreta literalmente uma declaração figurativa.” (Henry A. Virkler, Hermenêutica Avançada, p. 19.)

Assim, aplicando esse princípio básico no Salmo 150, fica claro que a expressão: “Louvai-o com adufes” não precisa ser entendida como uma figura de linguagem. Ela faz sentido literalmente, pois os hebreus usavam adufes na adoração. Essa é a leitura mais natural do texto.

Aqueles que entendem os “adufes” do Salmo 150 como uma figura de linguagem devem dizer que figura de linguagem é essa. Símile? Metáfora? Alegoria? Além disso, os adeptos da interpretação figurativa dos adufes devem explicar em linguagem literal o que o texto supostamente estaria sugerindo de maneira figurada. O que significa “louvai com adufes”?

Incrivelmente, a resposta para esses “hermeneutas” geralmente é: “Louvai com adufes significa: NÃO usem percussão!”

Que figura de linguagem é essa onde o sentido literal é o oposto do sentido figurado? Ironia? Estariam esses intérpretes sugerindo que o Salmo 150 é um salmo irônico, sarcástico?

Figura de linguagem inadequada?
Ainda que “louvai-o com adufes” fosse figurativo, na ótica de Bacchiocchi essa seria uma figura de linguagem inadequada, pois para ele os adufes não podem ser usados na adoração. Isso nos leva a um fato curioso: o Espírito Santo inspirou o salmista e o levou a usar um elemento pecaminoso como figura de linguagem!

É como se o salmista tivesse escrito ao Senhor que “o teu amor é melhor que um pernil suíno!”, ou “minha alma suspira por ti mais do que o viciado anseia pela cocaína”. Um absurdo, ainda que fosse meramente simbólico.

Como o próprio Bacchiocchi destaca, os salmos usam expressões claramente figurativas, ordenando o louvor “no leito”, “portando espadas”, ou “no firmamento”, mas nenhuma dessas expressões é pecaminosa ou errada, como supostamente seria o “louvai-o com adufes” caso Bacchiocchi estivesse certo. Essa teoria pode ser resumida assim: no Salmo 150 Deus usa figuras de linguagem que fazem apologia ao pecado e que significam exatamente o contrário do que Ele queria dizer.

Devemos “tomar cuidado para não colocar demais exegese nos Salmos, a ponto de achar significados especiais em toda palavra ou frase, onde o poeta talvez não tenha objetivado nenhum.” (Gordon D. Fee e Douglas Stuart, Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica, p. 177)

Bacchiocchi e sua hermenêutica por conveniência
Para vermos a incoerência metodológica de Bacchiocchi, basta compararmos a pesquisa que ele fez sobre a música com as pesquisas que ele fez sobre outros assuntos. Os métodos e abordagens são diferentes.
Apesar de defender essa leitura figurativa dos Salmos 149 e 150 em “O cristão e a música rock”, em seu livro “Imortalidade ou ressurreição?” (Unaspress, 2007), Bacchiocchi consegue separar claramente o que é figurativo e o que é literal nos salmos (e ele cita muitos salmos).

Por exemplo, quando o Salmo 6:5 diz que na morte não há lembrança do Senhor, Bacchiocchi entende isso literalmente. Quando o Salmo 115:17 diz que os mortos não louvam ao Senhor, Bacchiocchi entende isso literalmente. O fato dos salmos terem sido escritos em linguagem poética não impede interpretações literais de trechos que são claramente literais.

Ao pesquisar sobre a morte, Bacchiocchi consegue distinguir o que é figurativo e o que é literal nos salmos. Aparentemente, ele só não consegue fazer isso quando a discussão é sobre música: nesse caso, tudo é figurativo!

Outro exemplo da “hermenêutica por conveniência” de Bacchiocchi está no fato de ele desrespeitar uma regra básica que ele mesmo destaca em “Imortalidade ou ressurreição?”:

“Para encontrar respostas a essas indagações, tomaremos as Escrituras a fim de examinar todas as passagens pertinentes. (...) Deve-se sempre permitir às Escrituras interpretarem as Escrituras. Passagens que apresentam certos problemas devem ser interpretadas à luz daquelas que são claras. Seguindo tal princípio, conhecido como analogia da fé, podemos resolver as aparentes contradições que encontramos na Bíblia.” (p. 114)

Bacchiocchi ignorou a regra “texto claro interpreta texto obscuro” - Ele dá preferência a uma lista de instrumentos para inferir, imaginar, uma suposta proibição divina à flauta e aos tambores. Ele usa essa inferência para reinterpretar textos claros como os salmos 149 e 150. É uma incrível desobediência à regra hermenêutica.

Bacchiocchi desrespeita a regra “a Bíblia interpreta a Bíblia” – Ao afirmar que as flautas e os tambores ficaram de fora do templo por estarem "associados ao culto pagão”, ele não encontra nenhum apoio bíblico. A Bíblia não afirma isso em lugar algum, e os salmos continuam incentivando claramente o uso de flautas e tambores.

Bacchiocchi não leva em consideração “todas as passagens pertinentes” - A Bíblia tem outras passagens sobre o “estar associado ao paganismo” que foram sumariamente ignoradas em sua pesquisa, como:
- Pagãos usavam, dentre outros instrumentos, harpas e alaúdes (Is 14:11; Ez 26:13; Dn 3:5; Jó 21:12;)
- Incrédulos e bêbados infiéis usavam harpas, dentre outros instrumentos (Is 5:12)
- Prostitutas usavam harpas (Is 23:16)
- Um descendente de Caim é chamado de “pai dos que tocam harpa e flauta” (Gn 4:21).
- A maldição divina sobre a Babilônia mística do Apocalipse inclui menções à harpa, à flauta e aos clarins (Ap 18:22)
Esses instrumentos estão associados ao paganismo mas fazem parte da lista de “instrumentos do Senhor”. Isso torna insustentável a argumentação de Bacchiocchi.

E a dança?
Sempre que se discute o uso de instrumentos musicais no Salmo 150 surge a pergunta: “E a dança? Você está defendendo o uso da dança também?” Não. Eu estou defendendo o uso correto da Palavra de Deus.

Eu nunca entendi a preocupação com a dança. Não temos medo do véu (uma ordem bíblica para as mulheres), mas temos medo da dança. Não temos problema nenhum com as leis bíblicas sobre barba e cabelo, mas trememos diante da dança.

Alguns temem tanto que sugerem que a palavra “dança” não é dança, é “órgão”, ou outro instrumento musical desconhecido. Pode até ser, mas o peso da evidência está a favor da palavra “dança”: é uma tradução linguisticamente correta, e os hebreus dançavam em celebrações religiosas.

Se os adventistas não acham adequadas as manifestações físicas, podem argumentar de maneira diferente, usando a lógica, respeitando as regras de interpretação e sem alterar o texto bíblico. Fazemos isso facilmente com outros assuntos, podemos continuar fazendo no assunto da dança. Só não podemos seguir o “método Bacchiocchi” de fazer exegese com dois pesos e duas medidas.

Conclusão
Vimos quão frágil é o argumento da “linguagem figurada”. Eu não sei o que levou um teólogo tão celebrado a publicar uma obra com argumentos tão fracos como esse. Não sei o que concluir nesse ponto...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sob o domínio do medo

Quando as crianças não querem obedecer, é comum ouvir dos pais: “se você não fizer, o velho do saco vai te pegar”. Quando não querem dormir: “A Cuca vai te pegar”.

Essa tática pode funcionar por um tempo. Mas, conforme o indivíduo vai se desenvolvendo, ninguém espera que esse tipo de “incentivo” baseado no medo continue sendo usado.

No entanto, esse fenômeno acontece o tempo todo nas igrejas: o domínio pelo medo. O raciocínio é o seguinte: “se o povo não quer tomar jeito por amor a Jesus, terá que ser por medo do diabo!”

Assim, grosso modo, o método é aplicado a tudo. “Você não quer deixar o refrigerante por princípios de saúde? Ok. Então vire o rótulo da Coca-Cola e leia ‘Alô Diabo’. Esse refrigerante é do demônio irmão!” Aí o crente deixa o refrigerante por medo do diabo, e não por um princípio baseado na Bíblia.

No assunto da música e adoração ocorre o mesmo. Quando o argumento não convence pela lógica, abusa-se de histórias de pactos diabólicos, mensagens subliminares, casos de possessão, etc. E depois é só fazer o apelo, desligar os instrumentos e jogar todos os cd’s na fogueira...

Mas o povo que prega a esperança não pode se sujeitar ao medo. E isso deve obrigatoriamente transparecer em nossa adoração. O clima repressivo, o tom ameaçador, o patrulhamento sem misericórdia deve ceder lugar ao incentivo, a orientação, o discipulado e até a repreensão com brandura.

A música dos "comedores de criancinhas”
A década de 70 foi marcante para a música adventista. O debate sobre a música foi afetado pelo contexto da Guerra Fria. A Revista Adventista foi inundada com artigos sobre música, com insistentes citações de Bob Larson e John Diamond, autores conhecidos por suas abordagens espiritualistas à música.[1]

Foi nessa década que surgiu a primeira versão da Filosofia Adventista de Música (1972), que foi substituído por outro documento em 2004. Quando comparamos as duas versões, fica nítido o caráter controlador da versão de 1972, que falava explicitamente de acordes, estilos e ritmos inadequados. Era praticamente uma lista de “pode x não pode”.

Demorou mais de 30 anos para a Filosofia Adventista de Música ter seu texto mudado. O atual texto é mais aberto, enfatizando princípios de adoração e não acordes e ritmos.[2]

Nesse contexto, em outubro de 79, a Revista Adventista publicou um curioso e amedrontador artigo “Uso comunista da música”, assinado por Melvin Munn. Veja como o pânico se disseminava:

“Os comunistas idealizaram esse plano especialmente para estudantes de escolas superiores, para produzir diferentes graus de neurose artificial e prepará-los para a agitação e precipitar a revolução — agitação e revolução para destruir nossa forma americana de governo e os princípios básicos cristãos que governam nosso modo de vida. (...)” p.7

“Atualmente esta música (rock’n roll) vai ainda mais profundo, dentro do coração da África, onde ela era usada para incitar guerreiros a um tal frenesi, que ao cair da noite os vizinhos eram comidos em panelas canibais. (...)” p.7

“Esta música (rock’n roll) é tão-somente parte do esquema diabólico dos comunistas para fazer os humanos retornarem à selvageria.”p. 7

Numa época em que era popular o argumento que "comunistas comiam criancinhas", nada mais natural que usar isso num artigo sobre música. Isso reflete bem o espírito do debate sobre música na igreja: especulações que apelam ao medo. [3].

Animais míticos
Essa abordagem assustadora também é usada na discussão sobre o uso da percussão na adoração. Esqueça a complicada discussão sobre acústica, volumes e ritmos: basta fazer uma assustadora conexão entre instrumentos de percussão e o sobrenatural que a discussão se resolve!

“O tambor é capaz de estabelecer contatos com os espíritos dos deuses, com as almas dos ancestrais, com os mortos e com os animais míticos.”[4]

Animais míticos? Desde quando os adventistas acreditam em animais míticos? Desde quando os adventistas tem medo de fantasma? Qual será o próximo passo? Adventistas pedindo pastores para “benzerem” suas casas para espantar o “mau-olhado”?

Poderíamos acrescentar itens ao “argumento mítico”: as religiões afro-brasileiras usam flores, água, sal, toalhas e roupas brancas em seus rituais. Isso quer dizer que não podemos usar tais coisas? Podemos decorar nossas igrejas com flores ou isso pode invocar os espíritos da umbanda? Podemos continuar usando toalhas brancas na santa ceia? E roupas brancas nos batismo? O crente pode comer pipoca mesmo sabendo que ela é usada em sessões de descarrego?

Perceba que o argumento mítico amedrontador pode ir longe...

Por que falar tanto do diabo?
Outra coisa que me impressiona no debate musical é o conhecimento que alguns tem da agenda satânica. É curioso como alguns escritores e palestrantes conseguem saber os planos secretos e gostos de Satanás. Como conseguem descobrir? São informações que, para mim, podem dar a impressão de uma certa intimidade com o inimigo.

Que o inimigo está ativo, ninguém duvida. O que eu duvido é que ele esteja envolvido em tudo o que afirmam sobre ele. Já o envolveram inclusive na produção do CD Jovem da igreja adventista: “Para esse fim, satanás já logrou êxito introduzindo a música gospel na igreja, até, nos CDs Jovem.” [5]

Eu tenho alguns CD’s Jovem, mas não consegui localizar em nenhum encarte o nome de Satanás como produtor executivo ou musical. Vi o nome de vários pastores e músicos adventistas. O autor do artigo está sugerindo que esses pastores e músicos foram usados por Satanás. E isso é muito sério.
Alguns pregadores e palestrantes se dedicam a estudar e ensinar o que Satanás está tramando. A desculpa deles é: “estamos numa guerra e precisamos conhecer as táticas do inimigo”. Daniel Spencer (foto ao lado) é um palestrante que adquiriu certa notoriedade no Brasil apresentando uma série de palestras denominada “A Guerra dos Sentidos”.

Quando tive contato com seu material, chamou-me a atenção o tempo dedicado por ele a falar de Satanás e seus planos secretos. Alguém lhe perguntou sobre isso após uma palestra (a partir de 14:30 min, no link: http://video.google.com/videoplay?docid=-6148262566346133974#

E a resposta (17:40 min) dele inclui:

“O objetivo da palestra não é mostrar um diabo vencedor, mas é mostrar um adversário que não pode ser ignorado. E Deus está sendo louvado quando eu faço isso, porque foi Deus quem criou o diabo. Ele criou um ser inteligente.

E o Espírito de Profecia nos diz assim: ‘muitas vezes, até mesmo do púlpito, falamos pouco sobre o diabo, e é necessário entender as táticas do adversário’. Não é necessário ficar estudando e enfiando a cabeça nos livros para entender como é o diabo e todos esses temas. O Espírito de Profecia e a Bíblia desaconselham isso. Mas temos que conhecer o que Deus nos mostra sobre como ele trabalha para não ignorar esse poder.”

Gostaria que alguém encontrasse e me enviasse o texto onde Ellen White afirma isso.
Eu sei que ela diz exatamente o contrário:

"É verdade que Satanás é um poderoso ser; mas, graças a Deus, temos um Todo-poderoso Salvador, que expulsou do Céu o maligno. Satanás se agrada quando magnificamos seu poder. Por que não falar de Jesus? Por que não engrandecer Seu poder e amor?"[6]

"Não é a obra do ministro evangélico dar voz às teorias de Satanás. ..."[7]

"No lugar em que o povo se reúne para adorar a Deus não seja pronunciada nenhuma palavra que desvie a mente do grande interesse central - Jesus Cristo, e Este crucificado. Com as questões colaterais, não nos devemos intrometer. O peso da obra é: Pregar a Palavra."[8]

"Deus pede um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito."[9]

"Dai ao povo a verdade presente. Falai a verdade. Enchei-lhes a mente com a verdade. Edificai as fortalezas da verdade. E não apresenteis as teorias de Satanás a espíritos que não devem ouvir falar a respeito delas.
O que o povo necessita não é uma apresentação das sedutoras artes de Satanás, mas uma apresentação da verdade como é em Jesus.
Lembrai-vos de que o diabo pode ser servido por uma repetição de suas mentiras. Quanto menos lidarmos com esses assuntos objetáveis, tanto mais puros, limpos e menos manchados estarão nosso espírito e nossos princípios. ... " [10]

"Ao falarmos na força de Satanás, o inimigo consolida mais seu poder sobre nós. Quando falamos no poder do Onipotente, o inimigo é repelido."[11]

Falamos pouco do diabo e seus planos no púlpito? Deveríamos falar mais dele? Deus é louvado quando falamos tanto tempo do diabo? Pregar o plano da Redenção não é suficiente, temos que pregar sobre o plano de Satanás?

Creio que há uma preocupante e crescente onda de interesse em experiências sobrenaturais no adventismo brasileiro.[12]

O problema é tão grave que a igreja mundial teve que tomar um voto incluindo no corpo de crenças fundamentais algo óbvio: Jesus é maior e mais poderoso que todos os demônios! Que tipo de adventista medroso não sabe que Jesus garante vitória sobre os demônios e libertação completa? [13]

No entanto, de nada adianta a igreja mundial enfatizar que “não mais vivemos na escuridão, com medo dos poderes do mal” se as igrejas emprestam os púlpitos para os pregadores do terror especulativo.

Escatologia Especulativa
E o pior é que esse misticismo invade a igreja à luz do dia, disfarçando-se de coisas boas, como “Seminário de Música”, “Seminário Profético” ou “Escatologia”. É impressionante ver como palestras que citam a maçonaria, os iluminati, o satanismo, numerologia, as mensagens subliminares e as supostas infiltrações jesuítas na IASD tem despertado o interesse. E os palestrantes ainda colocam Ellen White para “assinar em baixo” de suas teorias da conspiração.[14]

Desde quando essas coisas fazem parte da escatologia adventista? O que faz parte de nossa escatologia é saber que o espiritismo tem um importante papel a desempenhar. Mas isso não justifica essa onda especulativa que gera sermões e palestras e um desperdício do púlpito.
Infelizmente, alguns nomes de talento se enveredaram no caminho da especulação.

Para citar um exemplo, o dr. Walter Veith, admirado por sua contribuição à causa criacionista, desenvolveu uma série de palestras absurdamente especulativas e amedrontadoras sobre a Nova Ordem Mundial e as Sociedades Secretas e que também aborda o tema da música sacra. Isso acaba lançando sombra em sua credibilidade, o que é ruim para o criacionismo.[15]

Proponho urgentemente um retorno à Bíblia. Se vamos discutir música e adoração, façamos isso à luz da Palavra, e não à luz das teorias medonhas.

Chega de promover palestras sobre Sociedades Secretas, teorias da conspiração, Misticismo Oriental, Nova Era, pactos diabólicos, numerologia, simbologia do mal, satanismo e chamar isso de "escatologia".

Chega de ouvir sobre a Nova Ordem Mundial. Precisamos ouvir e atender à “Velha Ordem Divinal”: “Ide (...) e pregai o EVANGELHO” (Mc 16:15). Transformaram isso em “ide, pregais sobre os planos do diabo.”

A ironia é que essa onda terrorista tem invadido a igreja justamente através daqueles que clamam por uma “identidade adventista”, um retorno aos velhos e bons tempos. Esses temas conspiratórios são apenas um reflexo no adventismo de algo que está na moda no mundo evangélico. E eles tem oradores bem mais impactantes que nós (Daniel Mastral, Rebecca Brown, Josué Yrion, Tio Chico, dentre outros).

Reavivamento e reforma não acontecem com mensagens sobre satanismo e a feiúra do demônio. Segundo Ellen White, "Deus pede um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito."[16]
______________________________________
[1] Bob Larson foi citado 33 vezes na Revista Adventista. Todas durante a década de 70 (com exceção de duas citações em artigo de 2005).
[2] O voto de 1972 é bem diferente do de 2004. O de 1972, por exemplo, traz a expressão “jazz, rock e correlatos”. O de 2004 não traz. A expressão estava no texto sugerido para o voto de 2004, mas saiu após análise após análise. Aqui está o de 1972: http://www.iamaonline.com/worshipmusic/Guidelines%20Toward%20An%20SDA%20Philosophy%20of%20Music.htm
Aqui está o texto sugestivo para 2004 (ainda com a referência ao "rock"): http://www.adventistreview.org/2003-1541/Music.pdf
Aqui está o atual, no formato final aprovado por voto: http://www.adventist.org/beliefs/guidelines/music_guidelines.html
[3] O adventismo sempre sofreu com esse tipo de “sensacionalismo terrorista”. Desde que abracei o adventismo, tenho ouvido falar de decretos dominicais que supostamente estavam assinados. O medo do decreto e da perseguição causado por histórias especulativas consegue mais reavivamento que a Palavra de Deus. Na verdade, há entre nós um grande número de “decretistas do sétimo dia”: gente que aguarda o decreto dominical com mais ansiedade que a própria volta de Jesus.
[4] Otimar Gonçalves, “As preocupantes implicações do uso dos tambores/bateria na adoração a Deus” http://www.ja.org.br/musica/artigos_tambores.html
[5] Artigo de Sikberto Marks, disponível em: http://www.musicaeadoracao.com.br/artigos/meio/musica_igreja_sikberto.htm
[6] Ciência do Bom Viver, 94.
[7] Mente, Caráter e Personalidade, Vol. 2, 718.
[8] Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, 331-332
[9] Profetas e Reis, 626.
[10] Evangelismo, 624.
[11] Mensagens aos Jovens, 105.
[12] Por isso, e também pelas orientações de Ellen White já citadas, não vejo como positivo o interesse em relatos sobre o submundo do espiritismo e do satanismo, como o de Roger Morneau, Rebecca Brown e Daniel Mastral. Isso normalmente só gera pânico, superstição, demonização exagerada e generalizada, e leva a falsos “reavivamentos” baseados em emoções. Se uma geração inteira de adventistas morre de medo de entidades e espíritos malignos, não será lendo Roger Morneau e assistindo palestras especulativas de Walter Veith que vão superar isso. É lendo e praticando a Palavra que liberta poderosamente!
[13] Crescimento em Cristo - Nova crença fundamental aprovada em 4 de julho de 2005, na 58ª Assembléia da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Pela sua morte na cruz Jesus triunfou sobre as forças do mal. Ele subjugou os espíritos de demônios durante o Seu ministério terrestre e quebrou o seu poder e tornou certo o seu destino final. A vitória de Jesus dá-nos vitória sobre as forças do mal que continuam procurando controlar-nos, enquanto nós caminhamos com Ele em paz, alegria, e a garantia do Seu amor. Agora o Espírito Santo mora conosco e nos dá poder. Continuamente comprometidos com Jesus como nosso Salvador e Senhor, somos livres do fardo dos nossos feitos passados. Não mais vivemos na escuridão, com medo dos poderes do mal, ignorância, e a falta de sentido de nosso antigo estilo de vida. Nessa nova liberdade em Jesus, somos chamados a crescer na semelhança de Seu caráter, comungando com Ele diariamente em oração, alimentando-nos de Sua Palavra, meditando nisso e em Sua providência, cantando Seus louvores, reunindo-nos juntos em adoração, e participando na missão da Igreja. Na medida em que nos entregamos ao serviço de amor àqueles ao nosso redor e ao testemunho da Sua salvação, Sua constante presença conosco através do Espírito transforma cada momento e toda tarefa numa experiência espiritual. Razões bíblicas: Salmos 1:1, 2; 23:4; 77:11, 12; Colossenses 1:13, 14; 2:6, 14, 15; Lucas 10:17-20; Efésios 5:19, 20; 6:12-18; I Tessalonicenses 5:23; II Pedro 2:9; 3:18; II Corintios 3:17, 18; Filipenses. 3:7-14; I Tessalonicenses 5:16-18; Mateus 20:25-28; João 20:21; Gálatas 5:22-25; Romanos 8:38, 39; I João 4:4; Hebreus 10:25.)
[14] Para uma análise crítica dessa tendência: http://questaodeconfianca.blogspot.com/2010/05/escatologia-da-conspiracao.html
[15] Uma das teorias conspiratórias de Veith (referentes a adulterações do texto bíblico) mereceu uma refutação do Biblical Research Institute: http://biblicalresearch.gc.adventist.org/documents/Textus%20Receptus%20and%20Modern%20Bible%20Translations.pdf
As palestras especulativas de Veith também foram alvo de crítica publicada na Adventist Review: http://www.adventistreview.org/issue.php?issue=2009-1525&page=27
[16] Profetas e Reis, 626.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

PolêmiCAJÓN


“Haverá gritos com tambores, música e dança…”.

Esse é o texto onipresente nas discussões sobre música. Ele é aplicado indistintamente, sem nenhuma reflexão, sobre qualquer música ou instrumento que desagrade o portador do texto dos "gritos e tambores". Ele é usado inclusive contra quem não usa tambores, como os grupos a capela (!). É curioso o que o fanatismo cego pode produzir.
Recentemente ouvi falar do caso de alguns líderes de uma igreja adventista local que decidiram proibir o uso do cajón nos cultos.
E surgiu uma questão interessante: estritamente falando, o cajón não é um tambor. Tambores são "membranofones", possuem uma membrana esticada que é percutida. O cajón nada mais é que uma caixa de madeira, e poderia ser classificado entre os "idiofones" (como um prato ou um xilofone).
É interessante observar a confusão que isso causa naqueles que aplicam o texto dos "gritos com tambores" à música da igreja sem nenhuma reflexão. Para se livrar da confusão, tais pessoas 'esticam' o texto e o aplicam à percussão em geral. Mas isso gera um outra confusão: havia percussão na "lista de instrumentos do Templo" (que é outro argumento-padrão contra a música contemporânea.)
Assim, veja o dilema: se o texto se refere especificamente aos "tambores", os idiofones estão livres. Mas se o texto se aplica aos instrumentos de percussão em geral, então a Bíblia está errada ao recomendar esses instrumentos e o argumento da "lista de instrumentos do Templo" não deve ser usado (pois incluem os idiofones percutidos).
E poderíamos ampliar a confusão citando a bateria eletrônica, a percussão feita em sintetizadores, em teclados e softwares, o beatbox, a percussão programada em computadores, etc.

Que argumentos usaremos agora?
Qual seria o escape de quem usa o argumento "haverá gritos com tambores" sem pensar?
Uma opção talvez fosse dizer: "não importa se é real ou virtual, ao vivo ou gravado. Se faz 'som de percussão' tá fora!"
Essa seria uma fuga desesperada, mas igualmente inútil: é possível fazer 'som de percussão' numa infinidade de instrumentos.
Esse violão dispensa percussão:
Esse faz beatbox com a flauta transversa:
Esse faz percussão no piano:
Ninguém ousaria sugerir uma proibição ao violão, à flauta e ao piano, certo? É claro como o sol do meio-dia que os instrumentos são servos dos instrumentistas e fazem apenas o que o músico quer (e tiver habilidade de fazer).
E então, por que eu não deveria usar um cajón na minha igreja?
Se eu quisesse argumentar contra o cajón (o que não é o caso), eu não distorceria o texto dos "gritos com tambores". Eu talvez usasse argumentos como:
- "Desculpe-me meu jovem, mas você ainda não sabe tocar isso direito!"
- "Isso não combina com os hinos do hinário, só com música moderna. 'Tá feio!"
- "Você toca fora do ritmo e atrapalha os demais. Vá estudar e praticar." ( Mas isso valeria para qualquer instrumento)
- "A maioria dos membros dessa igreja é contra" (obviamente, essa pesquisa deve ter sido feita antes, e ser real, não um 'achômetro').
Repare que são argumentos discutíveis (alguns sofríveis e subjetivos), mas que pelo menos não tentam manipular as palavras da Mensageira do Senhor.

PS: Antes de entrar na discussão, experimente fazer esse teste sobre instrumentos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O "argumento Caim"



A experiência de Caim, Abel e suas respectivas ofertas sempre surge no debate sobre música. Analisando-se alguns artigos e livros sobre o tema, percebe-se claramente que o fato de Deus ter rejeitado a oferta de Caim é rapidamente associado a elementos do culto cristão considerados polêmicos.
O argumento é: "Não podemos adorar a Deus como queremos, mas como Deus quer. Veja o caso de Caim!" A partir daí, o usuário do "argumento Caim" o aplica da seguinte forma: "O modo como EU adoro é 'oferta de Abel', e o modo como VOCÊ adora é 'oferta de Caim'".
Parece-me que o “argumento Caim” deteriorou-se como o “argumento do escândalo”. É uma espécie de carta-curinga, sacada da manga e encaixada sem critério algum em qualquer discussão sobre música e adoração.
Utiliza-se o “argumento Caim” para atacar desde o uso de spots de iluminação em cantatas de coral até para embasar “biblicamente” a proibição de se retirar o púlpito da plataforma.
Ironicamente, é comum ver na mesma pessoa que usa o “argumento Caim” a atitude extrema e violenta de Caim: dedo em riste, críticas, ataques e perseguições aos irmãos.

Refletindo sobre o tema, conclui-se que o “argumento Caim” só é aplicável a situações onde a expressa vontade de Deus estiver sendo desconsiderada na adoração.

“Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício mais excelente que o de Caim.” (Hb 11:4)

Abel ofereceu seu sacrifício pela fé, de acordo com a Palavra de Deus.

“De sorte que, a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm 10:17)

Se adorarmos a Deus pela fé, nós o faremos de acordo com a Sua Palavra.
Se nossa adoração não é pela fé, em obediência à Palavra de Deus, ela se torna pecaminosa, pois "tudo o que não provém da fé é pecado" (Rm 14:23).

O caso de Caim envolve algo simples mas perigoso: substituir uma ordem de Deus por outra coisa, mesmo por coisas aparentemente boas e aceitáveis.

Os hipócritas da época de Jesus praticavam muitas coisas boas e aceitáveis, frutos de boas intenções. No entanto, isso se tornou pecado quando os mandamentos divinos começaram a ser substituídos por tais coisas:

“Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.” Mt 15:6

Sobre isso, Jesus disse:

“Hipócritas! Bem profetizou Isaías acerca de vocês, dizendo: ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens’". Mt 15:8-9

O caso de Caim não é apenas uma ingênua questão de gosto pessoal ("ele preferia frutos a cordeiros..."). É uma questão de desrespeito e desobediência deliberada. Longe de ser um sincero adorador ignorante, Caim era um rebelde que conhecia a vontade de Deus, mas decidiu desobedecer de propósito.

“Não sejamos como Caim, que pertencia ao Maligno e matou seu irmão. E por que o matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas.” 1 Jo 3:12

Deus é muito específico acerca do que quer de nós na adoração. No entanto, quando o "argumento Caim “ é usado na discussão sobre música, implicitamente colocamos várias normas e práticas que Deus NÃO especificou na adoração. Assim, cometemos o mesmo erro das pessoas a quem queremos corrigir: colocar a vontade humana à frente da vontade de Deus.

A seguir, a análise de algumas afirmações sobre o tema, encontradas em livros e artigos, sob a luz da Bíblia e dos escritos de Ellen White:

1) “O pecado de Caim foi uma ‘modernização’, uma ‘culturalização’
Não. O pecado de Caim foi desobedecer.
Caim levou a Deus uma simples oferta de gratidão, e não uma oferta pelo pecado [1].
Tecnicamente, trazer uma oferta “do fruto da terra” é algo encontrado na Bíblia, uma oferta legitimamente bíblica (Lv 2:1, 14; Nm 18:12, 13; Dt 26: 2, 4, 10). No entanto, não era esse tipo de oferta que o Senhor requeria naquele episódio.

“Sua oferta assemelhava-se à de Caim. Traziam ao Senhor os frutos da terra, os quais eram, em si mesmos, aceitáveis aos olhos de Deus. Muito bom era, na verdade, o fruto; mas, a virtude da oferta - o sangue do Cordeiro morto, representando o sangue de Cristo - isso faltava.”[2]

Não houve nenhum tipo de modernização ou culturalização. Houve sim uma desobediência a uma ordem expressa do Senhor. Ele ofereceu uma oferta tecnicamente correta, mas em substituição à oferta requerida por Deus.

“Caim obedeceu ao construir o altar, obedeceu ao trazer um ‘sacrifício’; prestou, porém apenas uma obediência parcial. A parte essencial, o reconhecimento da necessidade de um Redentor, ficou excluída”.[3]

A atitude de Caim indica que ele se achava justo. Aos seus próprios olhos, não havia necessidade de confissão de pecados e nem de misericórdia. Utilizar o “argumento Caim” contra inovações é ignorar a existência de ofertas do fruto da terra.

2) “A adoração de Caim foi ‘pomposa’, ‘chamativa’ e ‘de fazer barulho’”.
Não. A oferta de Caim foi uma “simples oferta de gratidão”[4].
Caim não estava preocupado nem mesmo em trazer “o melhor dos frutos”[5].
Não há nada de pomposo, chamativo ou barulhento na oferta de Caim. Ele trouxe sua oferta com “murmuração e infidelidade”[6].

3) “Caim ofereceu o seu melhor”
Não. “Caim não estava preocupado em trazer nem mesmo o melhor dos frutos”[7].
Abel sim trouxe o melhor, cheio de fé[8].

4) “Caim adorou com sinceridade”
Não. A oferta de Caim foi feita com murmuração, infidelidade e dúvida[9]. Caim não era um adorador do Deus vivo, ele era do Maligno (1 Jo 3:12).
Caim sabia a vontade de Deus, mas a recusou deliberadamente numa atitude de desrespeito e rebeldia[10].

5) “Caim não tinha cordeiros para oferecer”
Não era difícil para Caim conseguir um cordeiro. O próprio Abel o aconselhou a trazer um cordeiro. “(Caim) não estava disposto a seguir estritamente o plano de obediência e procurar um cordeiro e oferecê-lo com os frutos da terra. Meramente tomou do fruto da terra e desrespeitou as exigências de Deus.”[11].
Note a interessante possibilidade de oferecer o cordeiro com os frutos da terra.


Conclusão
Teologicamente, a oferta de Caim representa a tentativa de salvação pelas obras, sem cordeiro, sem sangue, sem os méritos de Jesus:

“O esforço que o homem faz em suas próprias forças para obter a salvação é representado pela oferta de Caim”[12].

Caim e Abel representam duas classes distintas: “fiéis X infiéis”, “salvos pela graça X legalistas”, “obedientes X rebeldes”. Eles não representam “os que cantam sem melismas X ‘melismeiros’”, nem “eruditos X populares”, muito menos “louvor com percussão X sem percussão”.

Assim, tanto o culto desordeiro e indecente quanto o silencioso culto gregoriano idólatra podem ser “oferta de Caim”. Independentemente do estilo e da música, ambos desobedecem a ordens explícitas de Deus.

O barulhento louvor da Carne Santa acompanhado de “gritos com tambores, musica e dança” é “oferta de Caim” por seus graves erros doutrinários e por sua irreverência. O culto ao som do órgão e do coral também pode ser “oferta de Caim” por sua ostentação e idolatria:

“O culto da Igreja Romana é um cerimonial assaz impressionante. O brilho de sua ostentação e a solenidade dos ritos fascinam os sentidos do povo, fazendo silenciar a voz da razão e da consciência. Os olhos ficam encantados. Igrejas magnificentes, imponentes procissões, altares de ouro, relicários com pedras preciosas, quadros finos e artísticas esculturas apelam para o amor do belo. O ouvido também é cativado. A música é excelente. As belas e graves notas do órgão, misturando-se à melodia de muitas vozes a ressoarem pelas elevadas abóbadas e naves ornamentadas de colunas, das grandiosas catedrais, não podem deixar de impressionar a mente com profundo respeito e reverência.
Este esplendor, pompa e cerimônias exteriores, que apenas zombam dos anelos da alma ferida pelo pecado, são evidência da corrupção interna.”[13].

Caim substituiu o que Deus pediu. Ele decidiu desobedecer. Esse argumento não pode ser utilizado contra inovações e estilos que não comprometam ordens claras e específicas de Deus. Podemos discutir racionalmente o que é melhor e mais conveniente ao culto sem apelar para o "argumento Caim" a todo instante.

_____________________________
[1] Parábolas de Jesus, 152.
[2] Evangelismo, 188.
[3] Patriarcas e Profetas, 72.
[4] Parábolas de Jesus, 152.
[5] História da Redenção, 52.
[6] História da Redenção, 52.
[7] História da Redenção, 52.
[8] A verdade sobre os anjos, 64.
[9] História da Redenção, 53.
[10] História da Redenção, 52; Patriarcas e Profetas, 72; 1Mens. Escolhidas, 233.
[11] A Verdade sobre os anjos, 64.
[12] Fé e Obras, 94.
[13] O Grande Conflito, 566 e 567.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Deus é amor...



‘Quem não ama não o conhece, pois Deus é amor.’ 1 João 4:8


A gente reclama do consumismo e da banalização do significado do Natal... Mas ainda assim, essa é uma data interessante. Todos nós temos alguma boa recordação de Natal.
Eu tenho várias... Revelação de amigo secreto em família, presentes engraçados e sem sentido, a família inteira reunida para comemorar, comida boa, carinho de mãe, abraço apertado de pai...

Eu me lembro uma vez, véspera de Natal... Estávamos na casa de uma tia e a ceia quase pronta. Meu irmão, eu e uns primos jogando Atari (quem se lembra do avô do playstation?), os adultos ajeitando a mesa, tentando arrumar os pisca-pisca queimados... E um caminhão de lixo parou na frente da casa para recolher o lixo.
Aquele momento foi estranho porque todos nós estávamos felizes, bem vestidos e esperando uma mesa farta... E do outro lado, pessoas trabalhavam.

Meu pai, que nunca foi muito de formalidades, perguntou a um dos lixeiros porque eles estavam trabalhando até aquela hora. Um deles respondeu que trabalhariam até as dez da noite. Sensibilizado, meu pai foi até a cozinha e voltou com pratos. Ele, minha mãe e minha tia, cortaram peru, desarrumaram toda a mesa de frutas, serviram de tudo que tinha ali...
E levaram para aqueles homens. Eles não queriam entrar, então fomos todos lá pra fora ouvir histórias de família, de natal, de filhos... Eles comeram, conversaram, riram... E foram embora.

Eu não me lembro do presente que ganhei naquele Natal, mas me lembro bem do exemplo dado por meu pai. Ele não era religioso, pouco sabia da Bíblia... Mas colocou em prática o maior mandamento dado por Jesus: O mandamento do amor.

O amor está em nós.

Numa cadeia, bandidos perigosíssimos choram quando falamos de mãe, filhos... Eles amam alguém.
Quando o nenem nasce, chorando e ouve a voz da mãe, ele se acalma. Ele reconhece a voz dela. A mãe já ama o filhote e o nenem também já ama a mãe.
Uma pessoa em fase terminal de qualquer doença não quer morrer porque não quer deixar as pessoas que ama.

A gente nasce, vive e morre amando. Deus nos fez e Ele é amor.

Neste Natal, tente multiplicar este presente que o Senhor te deu. É assim que Jesus nasce de novo transformando seu coração que é um lugar inadequado para o nascimento de um rei (como uma estrebaria) na morada de Deus.

O convite está feito: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele.” (Apocalipse 3,19)