sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Deus é amor...



‘Quem não ama não o conhece, pois Deus é amor.’ 1 João 4:8


A gente reclama do consumismo e da banalização do significado do Natal... Mas ainda assim, essa é uma data interessante. Todos nós temos alguma boa recordação de Natal.
Eu tenho várias... Revelação de amigo secreto em família, presentes engraçados e sem sentido, a família inteira reunida para comemorar, comida boa, carinho de mãe, abraço apertado de pai...

Eu me lembro uma vez, véspera de Natal... Estávamos na casa de uma tia e a ceia quase pronta. Meu irmão, eu e uns primos jogando Atari (quem se lembra do avô do playstation?), os adultos ajeitando a mesa, tentando arrumar os pisca-pisca queimados... E um caminhão de lixo parou na frente da casa para recolher o lixo.
Aquele momento foi estranho porque todos nós estávamos felizes, bem vestidos e esperando uma mesa farta... E do outro lado, pessoas trabalhavam.

Meu pai, que nunca foi muito de formalidades, perguntou a um dos lixeiros porque eles estavam trabalhando até aquela hora. Um deles respondeu que trabalhariam até as dez da noite. Sensibilizado, meu pai foi até a cozinha e voltou com pratos. Ele, minha mãe e minha tia, cortaram peru, desarrumaram toda a mesa de frutas, serviram de tudo que tinha ali...
E levaram para aqueles homens. Eles não queriam entrar, então fomos todos lá pra fora ouvir histórias de família, de natal, de filhos... Eles comeram, conversaram, riram... E foram embora.

Eu não me lembro do presente que ganhei naquele Natal, mas me lembro bem do exemplo dado por meu pai. Ele não era religioso, pouco sabia da Bíblia... Mas colocou em prática o maior mandamento dado por Jesus: O mandamento do amor.

O amor está em nós.

Numa cadeia, bandidos perigosíssimos choram quando falamos de mãe, filhos... Eles amam alguém.
Quando o nenem nasce, chorando e ouve a voz da mãe, ele se acalma. Ele reconhece a voz dela. A mãe já ama o filhote e o nenem também já ama a mãe.
Uma pessoa em fase terminal de qualquer doença não quer morrer porque não quer deixar as pessoas que ama.

A gente nasce, vive e morre amando. Deus nos fez e Ele é amor.

Neste Natal, tente multiplicar este presente que o Senhor te deu. É assim que Jesus nasce de novo transformando seu coração que é um lugar inadequado para o nascimento de um rei (como uma estrebaria) na morada de Deus.

O convite está feito: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele.” (Apocalipse 3,19)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Teólogo cristão dá aula sobre cristianismo na Globo


O Programa do Jô recebeu o dr. Rodrigo Silva, doutor em teologia, especialista em arqueologia bíblica e curador-adjunto do Museu de Arqueologia Bíblica Paulo Bork, no Centro Universitário Adventista de São Paulo.

Apesar do apresentador Jô Soares tentar questionar alguns pontos do cristianismo, o dr. Rodrigo Silva respondeu com maestria e brilhantismo.
Ao final, uma brilhante defesa da racionalidade do cristianismo.

Vale muito a pena assistir a entrevista!

Parte 1

Parte 2

Parte 3

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Série: Os 10 mandamentos - Radio Jaca


Áudio da série: Os 10 mandamentos

Programa "E agora, Pastor?" Na Radio Jaca.

(Que rola toda sexta, às 22h)

sétimo mandamento




Para ouvir online uma versão editada:

Ou aqui:




Série: Os 10 mandamentos - Radio Jaca

Áudio da série: Os 10 mandamentos

Programa "E agora, Pastor?" Na Radio Jaca.

(Que rola toda sexta, às 22h)

Sexto Mandamento

Série: Os 10 mandamentos - Radio Jaca


Áudio da série: Os 10 mandamentos

Programa "E agora, Pastor?" Na Radio Jaca.

(Que rola toda sexta, às 22h)


Quinto Mandamento


Série: Os 10 mandamentos - Radio Jaca


Áudio da série: Os 10 mandamentos

Programa "E agora, Pastor?" Na Radio Jaca.

(Que rola toda sexta, às 22h)


quarto mandamento



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cristãos espíritas: pra que ressurreição se somos imortais?



Hoje é dia de finados. Dia em que cristãos homenageiam os mortos, oram por eles, e até mesmo falam com eles. De quem aprenderam isso?

Como pastor, já participei de inúmeros funerais. E é com assombro que vejo cristãos bem-intencionados consolarem os enlutados com coisas como “ele foi para a glória”, “a vovó agora virou uma estrelinha” ou “ele agora é um anjinho”. Assusta-me esse espiritismo evangélico, que soterra a relevância da crença na ressurreição debaixo dos escombros do ocultismo gospel.
Prefiro me consolar com a certeza da ressurreição, conforme ordena a Palavra:
“Consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4:18)

Não se engane: a morte é nossa inimiga. O último inimigo a ser destruído é a morte (1 Co 15: 26), a morte é o salário do pecado (Rm 6:23), e o destino da morte é o lago de fogo (Ap 20:14).

Com quem os cristãos aprenderam a romantizar a morte, tratá-la como amiguinha doce e bela, passagem para o plano superior da luz?

Combatendo espiritismo com espiritismo
Com o sucesso recente de filmes espíritas, pudemos observar uma patética tentativa de resistência cristã aos seguidores de Chico Xavier. Patética por um motivo: alguns cristãos acreditam igual os espíritas na imortalidade incondicional da alma. Discordam apenas da possibilidade de entrar em contato com os mortos. Mas a crença é a mesma.
É o sujo falando do mal lavado. E ambos, de mãos dadas, fazem eco ao ensino da serpente: “certamente, não morrerás” (Gn 2:16 e 17 e 3:4)

Os novos reformadores, tão preocupados com o retorno à ortodoxia, devem pensar seriamente em reformar isso. Ou será que o compromisso com a tradição sufocou o ímpeto dos reformadores e transformou o mote “reformados sempre se reformando” numa frase sem sentido?

Precisamos continuar a jornada de retorno ao ensino bíblico, e isso passa pelo expurgo da crença imortalista do meio cristão. Alguns teólogos e pensadores tem tentado, não sem enfrentar violenta oposição.

Oscar Cullman, comparando o conceito bíblico de alma com o conceito grego diz que “a diferença com respeito à alma grega é evidente: a alma grega sobrevive sem o corpo”.

Wheeler Robinson diz que “a idéia hebraica de personalidade é um corpo vivente e não uma alma encarnada.”

Ed René Kivitz explica que a tradição bíblica semita “acredita que as dimensões material e imaterial do ser humano são indissociáveis, isto é, uma não existe sem a outra, sendo o ser humano uma unidade material-imaterial.”

Millard Erickson descreve o estado do homem na morte como “anormal e incompleto”.

Conrad Bergendoff alerta contra o compromisso que teólogos fizeram com a filosofia platônica e com a crença dualística com as seguintes palavras: “os evangelhos não fornecem base para uma teoria de redenção que salve almas à parte de corpos aos quais pertencem. O que Deus ajuntou, filósofos e teólogos não deveriam separar”.

O ensino bíblico é claro: a alma não é imortal (Ez 18:4).
Imortalidade só é inerente a Deus, não ao homem (1 Tm 6:15 e 16).
Imortalidade, vida eterna, é um presente de Deus ao homem salvo, não a todos indistintamente (I Jo 5:12; Jo 3:16; Rm 2:7).
Apesar dos seres humanos serem especiais (Sl 8), na morte, somos nivelados aos animais (Ec 3:18-21).
Na morte não há louvor, não há consciência, não há ida imediata para a “glória” (Ec 9:5 e 6; Sl 146:4).

Por isso acreditamos na ressurreição. Se o homem fosse imortal, e partisse para viver no céu imediatamente após a morte, a ressurreição seria uma grande farsa, uma piada de mau gosto:
“Olhe Fulano, você está aqui morto-vivo no céu, mas eu preciso que você volte e entre novamente no seu corpo pois eu vou ressuscitá-lo para trazê-lo de volta aqui para o céu, onde você já estava.”

Qual a lógica disso? A Bíblia, quando lida inteira, ensina isso? Até quando continuaremos tolerando e admirando o cavalo-de-tróia espírita-pagão?

Se os adventistas crêem, deve ser errado
O preconceito teológico tem gerado algumas táticas para ridicularizar ou desacreditar os eruditos que abandonaram o ponto de vista dualístico tradicional da natureza humana. Samuelle Bacchiocchi destaca uma dessas táticas: associar tais teólogos com liberais ou com grupos tidos como sectários, como os adventistas. A falácia grosseira é: “se grupos como os adventistas acreditam nisso, então deve estar automaticamente errado e eu nem vou perder tempo examinando a questão”.

O teólogo Clarck Pinnock descreve essa tática:

“Parece que um novo ‘critério’ para a verdade foi descoberto, segundo o qual, se os adventistas ou os liberais mantêm algum ponto de vista, esse deve estar errado. Aparentemente, a defesa da verdade pode ser decidida por sua associação e não precisa ser testada por critérios públicos em debate aberto. Tal argumento, embora inútil em discussão inteligente, pode surtir efeito com os ignorantes que são ludibriados por tal retórica.”


Na realidade, quando homens da envergadura de John Stott, Philip Hughes e Cullmann se levantam com argumentos bíblicos contra a crença na imortalidade, recebem em contrapartida uma enxurrada de argumentos emocionais, apelos à autoridade e à tradição. Parece haver uma preocupação com o custo de abandonar a crença dualística tradicional da natureza humana. “Se a gente abandonar essa crença, imagina quantas mudanças ocorrerão... Vai dar uma trabalheira!”

Imagina se os reformadores tivessem esse nível de preocupação com a tradição...
Pelo menos os católicos são honestos em admitir sua subserviência à tradição católica.

O medo do “efeito dominó” doutrinário pode estar na base do apego emocional a crença na imortalidade. Abandonar isso geraria um transtorno enorme que exigiria um reestruturação de muitas denominações. No entanto, o “efeito dominó” acontece dos dois lados: manter uma crença não-bíblica como essa gera práticas e outras crenças igualmente não-bíblicas.

Por Isaac Malheiros Meira
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E examine alguns teólogos reformados e evangélicos que questionam ou já abandonaram a crença dualística:
# Oscar Cullmann, Imortality of the Soul or Resurrection of the Dead? The Witness of the New Testament (N. York, 1958).
# C. H. Pinnock, “The Conditional View”, em Four Views on Hell, W Crocket, ed., (Grand Rapids, 1993).
# John W. Stott e David Edwards, Essentials: A Liberal-Evangelical Dialogue (Londres, 1988).

É constrangedor o silêncio dos seminários teológicos e das editoras cristãs brasileiras a respeito desse tema. Esse silêncio gera uma falsa impressão de que há um consenso teológico a favor da imortalidade, o que está longe de ser verdade.