sábado, 6 de fevereiro de 2010

Jesus não apóia intolerância religiosa

Cristãos já se acostumaram a ouvir acusações de uma a suposta intolerância religiosa do cristianismo baseadas na Inquisição, nas Cruzadas, e toda a bagunça religiosa da Idade Media. Mas será que o cristianismo verdadeiramente bíblico deve carregar essa culpa? Será que o ensino de Jesus referendou a violência e a intolerância?

A liberdade religiosa é assim definida no artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:
“Toda pessoa tem direito a liberdade de pensamento, consciência e religião. Este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela pratica, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em publico ou em particular”[1].
Esta definição afirma o principio da liberdade de escolha individual.

Jesus era a favor da liberdade de escolha. Para Ele, servir e adorar a Deus é uma questão de convicção e escolha. Ninguém, inclusive o próprio Jesus, estava isento de fazer escolhas. Ele foi tentado varias vezes, pelo diabo, no inicio de Seu ministério. Satanás propôs uma alternativa pela qual Jesus poderia ganhar o mundo e evitar a cruz (Mt 4:1-10). Resistir a tentação era uma escolha, mas Ele decidiu seguir ate o fim: “Contudo, não seja o que eu quero, mas sim o que tu queres” (Mc 14:32-41).

A liberdade de escolha esta no centro do relacionamento com Deus. O amor não pode existir sem a liberdade de escolha, e Deus ama suas criaturas.

Quando Jesus viajava nos arredores de Tiro, uma mulher grega lhe pediu que curasse sua filhinha. Jesus não curou a filha sob a condição de que a mãe se tornasse Sua seguidora. Ele viu o sofrimento de alguém que acreditava em Sua capacidade de curar, e isso foi suficiente (Mc 7:24-30).

Considere o modo como Ele falou com a mulher samaritana. Ele poderia ter debatido longamente com ela sobre quem tinha a religião certa (judeus ou samaritanos). Ela abriu o debate e O desafiou, mas Ele lhe trouxe as boas novas sem coagi-la ou perturba-la. Ele respeitou a opinião da mulher e compartilhou Sua mensagem com ela (Jo 4:7-42).

Alguns dias antes de sua prisão em Jerusalém, Jesus viajou pelo território dos samaritanos. Enviou seus discípulos a um vilarejo para encontrar lugar onde pudessem descansar, mas os samaritanos se recusaram a oferecer-lhes hospitalidade. Esse episodio é interessante, pois Tiago e João ficaram tão furiosos, que quiseram orar para que Deus destruísse o vilarejo.

Isso é exatamente o que o fanatismo religioso tem feito por séculos e ainda faz hoje. Ele tenta destruir aqueles que são diferentes e se recusa a aceita-los. Jesus repreendeu-os:
“Vocês não sabem de que espécie de espírito vocês são” (Lc 9:51-56). A intolerância religiosa e a violência não fazem parte do ensino de Jesus. Se as pessoas não aceitam a mensagem de Jesus, seus discípulos devem seguir o Seu conselho: “Se alguém não os receber nem ouvir suas palavras, sacudam a poeira dos pés quando saírem daquela casa ou cidade” (Mt 10:14).

Lucas conclui a historia com: “e foram para outro povoado”. Isso é tudo. Sem necessidade de maldições e ameaças. Eles fizeram sua escolha e Jesus a respeitou. Foram para outro vilarejo onde as pessoas o receberam alegremente. [2] Essa atitude devia ter deixado claro para todos os que alegam ser cristãos que devem rejeitar o uso da força e da violência em sua missão.

Esse texto é baseado em texto do livro “Discussões sobre fé e liberdade: defendendo o direito de professar, praticar e promover sua crença”, de John Graz, p. 21-24.


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[1] Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada na Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.
[2] A historia dos dez leprosos é um bom exemplo. Jesus curou todos os dez, mas apenas um voltou e glorificou a Deus. Jesus não usou Sua cura para obriga-lo a segui-lo (Lc 17:12)

2 comentários:

  1. é mesmo???


    pena que vocês fundamentalistas vivem se esquecendo disso...

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  2. Vcs fundamentalistas...
    Comentário inteligente do anônimo!
    Do tipo "eu odeio quem odeia".

    Parabéns pela obviedade.

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